31 Julho 2008
Com o PSD tudo é possível!
Estes meses de Verão, onde abunda o calor e só apetece um bom mergulho, é invariavelmente marcado pela silly season. Esta é uma altura onde, não havendo nada de extraordinário a acontecer, as notícias e os temas da actualidade passam de irrelevantes para as primeiras páginas, tal é o vazio de acontecimentos.
Não podendo deixar de ser, há dois grandes temas, ambos sem interesse e recorrentes, que marcam a nossa silly season: a pré-época do meu Benfica que todos os anos tem a melhor equipa e vai ganhar tudo (acabando sempre por não ganhar nada…) e a pré-época do PSD-Açores para as eleições regionais.
O meu Benfica e o PSD sabem que “melhor é possível”, e fazem questão de o apregoar, mas insistem em fazer mais do mesmo, no vazio de ideias e projectos, na inconsistência dos dirigentes e na falta de rumo, que caracterizam ambos.
Mas sendo eu um ferrenho adepto benfiquista e um optimista por natureza, acho que tanto o Glorioso como o PSD é desta que vão passar a ser uma alternativa viável e um factor construtivo nas áreas em que se inserem.
Mea culpa! Mais uma vez estou redondamente enganado. Os comentadores de serviço do PSD-Terceira, identificáveis como os rapa-tachos da oposição anoréctica e bolimica que é o PSD, insistem em identificar todos os problemas e mais alguns (como se ainda não estivéssemos a pagar a factura das opções estratégicas do nosso paizinho autonómico Mota Amaral) e em apontar no final que “melhor é possível”. Mas é possível ou é mesmo a sério? Preciso de saber se o PSD é alternativa ou acha que é alternativa.
Aquilo que os comentadores de costume, uns praienses, outros angrenses, não nos dizem nos seus artigos de opinião, que deveriam ser pagos pois constituem clara propaganda política e eleitoral, são as soluções que pretendem. Podem sempre argumentar que a apresentação de Costa Neves do seu programa de governo é a apresentação de uma série de soluções. Mas alguém dúvida que aquilo não é mais que uma declaração de boas intenções, perfeitamente absurdas e sem cabimento?
Enquanto o PSD e os seus arautos insistirem em fazer política só em períodos de eleições, insistirem em apresentar ideias que apenas tem como objectivo ganhar os votos dos mais desatentos e continuarem a repetir os tiques de politiquice de 5ª categoria, melhor será possível, mas não é com eles de certeza.
PS – O nosso Estatuto foi chumbado por um TC e um PR que tem medo de perder o seu feudo no meio do Atlantico…
13:18 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
O Diabo da Crise
Todos nós temos sentido a crise, uns mais outros menos, mas a verdade é que ela veio para ficar e afecta tanto os mais pobres, como toda a classe média.
Os preços dos bens de consumo aumentam (essa malfadada inflação que nos estrangula), os juros disparam (a tal desgraçada Euribor que nos esgana), os salários não aumentam (a já conhecida formula mágica do sacrifício colectivo) e por ai fora.
Mas de onde vem esta crise? As respostas são muitas e os analistas desdobram-se em apontar causas e protagonistas. Pessoalmente identifico dois grandes movimentos. O primeiro é óbvio: o rebentar da bolha especulativa no mercado imobiliário transferiu os especuladores para os mercados de futuros, onde se engloba o crude, os cereais, os metais preciosos, etc.
Esta movimentação especulativa, que por um lado rebentou o mercado imobiliário com enormes custos para as famílias que se viram endividadas com os pequenos palácios que compraram, e por outro, com a transferência dos especuladores, empolou-se as matérias-primas essenciais ao consumo humano. Quem paga essa factura? Todos nós classe média que empobrecemos para outros enriquecerem.
A segunda resposta a esta crise é mais complexa, e com certeza mais refutável: o mundo está economicamente sobreaquecido. Estamos numa era em que é pedido às empresas lucros consecutivos, vivemos num mundo onde os países são obrigados a crescer e a aumentar os seus indicadores económicos, estamos numa situação em que consumir desenfreadamente é sinónimo de prestígio social. Obviamente que isto tem um preço, onde se inclui a delapidação dos recursos e o sobreaquecimento económico. Parece-me licito afirmar que num contexto de recursos finitos, num contexto de espaço limitado e de produção desenfreada esta dinâmica irá, mais dia, menos dia, implodir. Só se pode crescer até certo ponto.
Hoje assistimos a uma correcção desta paranóia consumista e de crescimento, onde uma série de factores ambientais e sociais estão a entrar em acção para parar esta loucura colectiva.
Quem já leu o “Mundo de Ontem” de Stefan Zweig, apercebe-se que quando ele falava na fé inabalável no progresso da belle epoque, que descambou em duas guerras mundiais quando nada o fazia prever, começamos a encontrar hoje uma série de perigosas semelhanças.
Apesar de não querer ser arauto da desgraça, só existe uma solução para a procura de recursos e do seu controlo, porventura a mais antiga de todas as soluções: a guerra.
Não nos podemos deixar enganar pela “cooperação” politica e económica a nível mundial, o equilíbrio hoje é muito precário com focos de grande instabilidade geográfica que se podem rapidamente alastrar.
Cabe a cada um tentar responder à questão “Como sair da crise”, sabendo que em pouco podemos influenciar nessa resposta, mas que certamente a solução passará por uma comportamento mais responsável de todos nós face ao mundo em que vivemos.
PS – Achei genial que na semana em que o crude desceu mais de 20 USD nos mercados internacionais, os combustíveis vão aumentar nos Açores…
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Um mau exemplo (Parte 2)
O meu último artigo, sobre a Freguesia de Santa Bárbara e a actuação da Junta, causou grande debate e até alguma celeuma por aquelas partes.
Apesar de não querer tornar isto num “caso”, importa esclarecer alguns mal entendidos que surgiram em discussão na praça pública.
Em primeiro lugar, a questão de se colocar uma placa numa obra com a inscrição “Propriedade da Junta de Freguesia” demonstra bem a necessidade de ser reclamada obra cuja ideia e execução pouco pertenceu à Junta. Esta situação teria facilmente sido resolvida como fizeram, recentemente, numa obra no Porto Judeu em que se colocou “Património da Freguesia”. Assim as questões éticas e de usurpação não estariam em causa.
Em segundo lugar, é preciso que alguns em Santa Bárbara, felizmente não todos, percebem que a crítica construtiva e o debate público fazem parte do processo democrático e que deste debate, desta dinâmica, poderão nascer novas ideias e paradigmas. Contudo alguns ainda convivem mal com a crítica, certamente sinal de tempos idos e de privilégios perdidos.
Em terceiro lugar, apesar dos inúmeros apoios que me chegaram da parte de muitos barbarenses, aqueles que me criticaram nunca o fizeram directamente. Pior ainda, chegou-me aos ouvidos a possibilidade de represálias por parte de alguns que não interessa nomear. Apesar de não acreditar que, mais de trinta anos depois do 25 de Abril, alguém possa querer abafar o debate democrático com represálias, tal situação merece duas posições: primeiro, a ser verdade constituiria um sinal preocupante do modo como se faz politica em Santa Bárbara; segundo: a confirmar-se tal situação a reposta seria de tal forma incisiva, que constituiria um exemplo para quem assim pensa. Como dizia o Poeta-Deputado Manuel Alegre “a mim ninguém me cala”.
Por último, interessa frisar que o primeiro artigo e este, não constituem qualquer declaração de candidatura à Junta de Freguesia. Tendo sido uma das principais conclusões, que algumas mentes retiraram do artigo, importa esclarecer que só uma falta gritante de conhecimento de “timings” políticos pode retirar tais conclusões a mais de um ano de eleições autárquicas.
Não fazendo parte dos meus planos, por questões profissionais e de posicionamento político, candidatar-me à Junta de Santa Bárbara, isto não invalida da minha parte uma atitude participativa e construtiva, na definição e execução de projectos e politicas que beneficiem os barbarenses e Santa Bárbara, como é de resto normal num contexto de cidadania participativa. É preciso que todos saibam que mais do que criticar, preparei um documento de projectos e ideias para a freguesia em áreas que considero estratégicas e prioritárias que terei todo o gosto em discuti-las, não só com a Junta, mas com todas as forças vivas e habitantes de Santa Bárbara. Porque só dentro deste paradigma de efectiva actuação sei fazer política e ser um cidadão activo.
È altura de se acabar com o provincianismo e o caciquismo na maior freguesia da costa leste da Ilha Terceira. É o momento de, independentemente das filiações politicas ou interesses particulares, se construir uma freguesia alicerçada nos seus valores e enormes potencialidades.
13:17 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Um mau exemplo
Falar sobre questões locais é sempre complicado, quer pela sua especificidade, quer pelo risco de quem nos lê não perceber o contexto em que se inserem.
Contudo, na freguesia onde eu nasci, cresci e vivo o estado das coisas tornou-se de tal forma absurdo que decidi apresentar este exemplo de má governação para que outros não caiam nos mesmos erros.
Na minha freguesia, o desenvolvimento encontra-se suspenso há mais de 20 anos. Onde outras freguesias vizinhas evoluíram, apostaram e desenvolveram a minha freguesia continua amorfa, parada e retrógrada.
Na freguesia onde eu nasci, faltam investimentos estruturais, falta diálogo efectivo entre as diversas forças vivas, falta participação democrática e existem graves carências de visão estratégica local.
Na freguesia onde eu cresci, alguns das obras mais emblemáticas (tomemos os simples exemplos da casa mortuária, do parque de estacionamento no centro e da zona de lazer à beira-mar) foram ideias de diferentes instituições e pessoas, tiveram como principais impulsionadores várias pessoas e instituições que não a Junta de Freguesia, e sobretudo tiveram o suor e dinheiro de muitos que não a Junta. Contudo a Junta de Freguesia sempre reclamou os louros e iniciativa destas mesmas obras estruturais, caindo no ridículo de colocar uma placa, num dos maiores ex libris da freguesia, a dizer “Propriedade da Junta de Freguesia” numa clara usurpação de uma ideia, de um projecto e de uma concretização que a eles não pertencia.
Na freguesia onde eu vivo, governa-se para os amigos, para as pessoas do partido que suporta a Junta, para os interesses pontuais. Não se governa para todos, não se governa mediante o interesse colectivo, sobretudo não se governa rumo ao desenvolvimento.
Na freguesia onde tenho raízes, assiste-se ao desenvolvimento das freguesias vizinhas enquanto a nossa fica no esquecimento, enquanto a nossa é das poucas sem uma viatura de apoio que sirva os idosos e crianças, enquanto a nossa cultiva a mesquinhez o compadrio e o permanente vazio de ideias. É como se existisse um “satus quo” de incompetência desejada.
Na minha freguesia, tomam-se decisões arbitrárias sobre trânsito que não tem em consideração as necessidades dos residentes, que tem como justificação argumentos absurdos e injustos e que prejudicam gravemente muitos para agradarem a alguns.
Chegou a altura de dizer basta, chegou a altura de exigir mais, chegou o momento de lutar pela mudança e pelas legítimas aspirações de uma comunidade.
A freguesia onde eu nasci, cresci e vivo chama-se Santa Bárbara e é um péssimo exemplo de governação local.
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29 Janeiro 2008
A César o que é de César
A candidatura anunciada
No passado dia 26, Carlos César, actual Presidente do Governo Regional dos Açores, anunciou a esperada candidatura à liderança do PS-Açores e consequentemente à liderança do próximo Governo Regional.
Num discurso dividido em três partes, a primeira parte direccionada ao partido e aos militantes com o anúncio formal da sua candidatura, a segunda virada para Lisboa com um tomar firme de posição em relação ás pretensões e direitos do povo açoriano, e a terceira num discurso firme visando a oposição insular.
Foi uma intervenção bem estruturada denotando uma experiência acumulada ao longo dos últimos dozes anos, que transpareceu por um lado um estilo mais apagado e menos carismático que aquele que nos tinha vindo habituando, mas por outro manifestando uma visão alicerçada pela forma exímia como tem conduzido o poder regional na última década.
Teve uma posição muito firme em relação ao Estatuto Politico Administrativo, o que a certa altura o fez perder o controlo da audiência, ficando muitos temporariamente desinteressados num tema que tem tanto de importante como de maçador para a maioria dos açorianos. A expressão que utilizou que era hoje um político “de bolsos cheios” espelhou bem a posição de força que teve de tomar na última conversa com José Sócrates, anunciando grandes e importantes alterações à nossa carta autonómica.
A oposição
No seu discurso virado para a oposição não se limitou apenas a falar da obra feita mas também das suas perspectivas futuras, deixando vincando que era o homem certo para continuar a comandar os destinos insulares e que a oposição não seria capaz de o fazer tão bem quanto ele. Na verdade, o prestígio, a experiência e a convicção com que faz politica, deixa pouco espaço de manobra aos seus mais directos opositores. O único partido que tem conseguido conviver, devido à posição inteligente do seu líder, é o CDS-PP. Isto deve-se aquilo que o director deste mesmo jornal falava há dias: a RealPolitik. O PSD continua, mais de uma década depois, a ser uma chama fraca de Mota Amaral.
César demonstrou que é hoje um político que escolhe muito bem as suas batalhas e que não está na política para perder. Para a oposição este é um adversário quase impossível de vencer, acrescentando-se ainda o estado de deriva que o maior partido da oposição nos tem habituado.
Conclusões
A campanha para se escolher o inquilino do Palácio de Santana arrisca-se a ser um calmo passeio de César, reforçando no seu último mandato a imagem de líder incontestado que deixou desde a segunda metade da década de noventa e na primeira década do novo século.
Será de esperar que no epílogo da sua governação queira deixar a “casa arrumada” com a afirmação de politicas modernas e de uma imagem consolidada dos Açores perante o Continente português e a Europa.
É plausível, que pelas circunstancias excepcionais do próximo mandato, Carlos César crie as condições para que seja o seu melhor.
15:25 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
02 Janeiro 2008
Emparcelados
Nos últimos dias muito se tem falado de lavoura e sobretudo na questão do emparcelamento. Contudo o que parece que necessita de um emparcelamento urgente é a cabeça de alguns que falam sem conhecimento de causa.
Que o emparcelamento é urgente e necessário todos sabem, que é factor essencial na modernização da agricultura ninguém duvida, mas ninguém avança com propostas concretas.
Em primeiro lugar é preciso identificar as causas dos atrasos nesta área. Por um lado, temos a fraca legislação e apoios nestas área aliadas ao desconhecimento dos agricultores, e por outro, a forte resistência à mudança da lavoura açoriana.
O líder do PSD-Açores como sempre apressou-se a culpar o actual governo pela desastrosa situação avançando com a necessidade fundamental de se tomar medidas concretas. Ora nem ele deve saber o que fazer porque, bem à sua imagem, fala dos problemas mas não apresenta soluções para os resolver. Esta é uma questão que tem diversos culpados, começando pelos governos de Motas Amaral, passando pelo actual governo, até aos próprios agricultores.
Ao contrário do que o líder da lavoura de S. Miguel Jorge Rita disse, a lavoura açoriana não representa 50% da nossa economia, nem de perto nem de longe. E muito menos que a agricultura familiar é essencial no contexto açoriano.
A agricultura familiar, como forma exclusiva de sustento, tem os dias contados que pela falta competitividade, quer pela geração de receitas muitas vezes inferiores à despesa e só deve ser considerada num cenário de actividade complementar para algumas famílias, e nunca como actividade exclusiva.
È preciso encarar o problema de frente e sem medo afirmar que a falta de visão de alguns agricultores, bem como a teimosia em preservar pedaços de terreno sem valor são o maior entrave ao emparcelamento. Há uma certa mediocridade na visão da agricultura e dos factores de produção a ela associados, como é o caso da terra.
Por estas e outras razoes é o próprio mercado livre e aberto que está muito lentamente a fazer este próprio emparcelamento, através da aquisição de terrenos por parte daqueles que tem mais visão, são mais abertos à mudança e mais empreendedores.
As pequenas lavouras de 20 cabeças de gado não tem sentido numa economia de mercado competitiva, contribuindo apenas para sugar fundos, quer regionais, quer comunitários, sem produzir valor acrescentado.
Uma solução possível será a união dos agricultores em cooperativas para que possam criar, com base em solidariedade e confiança comum, um emparcelamento efectivo.
Outra solução com enormes custos sociais, e bem mais plausível, é o próprio mercado se reestruturar deixando apenas as grandes lavouras capazes de subsistir num cenário de economia de escala.
Fale-se do emparcelamento, mas sem medo de ferir susceptibilidades.
PS – Um 2008 com tudo de melhor!
16:12 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail
27 Dezembro 2007
PGE para as PME's
Como um título deve ser curto, tive de optar por iniciais, por conseguinte das inicias do titulo deve-se ler: Planeamento e Gestão Estratégica para as Pequenas e Médias Empresas (o caso açoriano).
A área do Planeamento e Gestão Estratégica é cada vez mais relevante para as empresas modernas. Hoje uma empresa de topo já tem gestores e colaboradores, bem como departamentos específicos, a tratar da gestão estratégica da empresa e do seu planeamento a médio/longo prazo.
Sendo uma área que necessita de quadros altamente qualificados e tendo associado custos elevados de prospecção, estudos e de custos fixos inerentes aos vencimentos das equipas torna-se praticamente inviável para as PME’s deterem departamentos próprios nesta área. Como solução pode-se optar pelo Outsourcing ou por incluir uma área de PGE noutro departamento da empresa, sendo até preferível que seja o próprio Director executivo a tomar a liderança nesta matéria.
Sabendo que os custos associados podem ser elevados, está hoje provado que os benefícios retirados de um bom planeamento são enormes (há estudos que apontam para duplicações de facturação em apenas dois anos).
Saber onde está a empresa e para onde ela deve caminhar de uma forma sustentável, ganhando posição de mercado e optimização nos processos, é sinónimo de aquisição de benefícios garantidos aos clientes, colaboradores e accionistas.
Sabendo que o tecido económico açoriano é caracterizado pela sua pequena dimensão torna-se urgente que as empresas façam investimentos nesta área, seja contratando este serviço a empresas especializadas, seja criando condições dentro da própria empresa para terem o seu próprio planeamento e gestão estratégica.
Nos açores há duas áreas em que uma correcta aplicação do PGE tem implicações substanciais: na internacionalização dos produtos/serviços e na diferenciação dos mesmos quer seja pela qualidade ou pelo preço. Neste caso a aposta, devido aos custos ultraperiféricos, deverá ser sempre na qualidade em detrimento do preço.
Ter uma visão de futuro alicerçada nas melhores ferramentas de gestão disponíveis no mercado, bem como no apoio do melhor know-how de recursos humanos com formação específica nesta área, pode bem ser o passo seguinte na procura incessante pela excelência e qualidade das empresas açorianas.
Uma empresa com uma gestão de qualidade sabe que o Planeamento e Gestão Estratégica não é um custo associado mas sim um investimento capaz de aumentar exponencialmente o volume de negócios.
E para melhor muda-se sempre…
PS – Boas festas!
17:13 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail
A Boa Governança
O tema da Boa Governança (Good Governance em inglês) é ainda pouco conhecido do público em geral, mas é um tema cada vez mais central em política. Foi de resto um dos temas abordados na recente Cimeira UE – Africa.
Este conceito consiste, em conjunto, o processo de criar melhores políticas e também o processo pela qual estas decisões políticas são implementadas. Não se deve confundir com Governação – acto de governar – com a Governança que tem a ver com a qualidade e transparência das políticas de governação.
Este é claramente um conceito deste século, porque os cidadãos hoje exigem estar informados e ser participantes nas decisões governamentais.
A Boa Governança é sinónimo de transparência, participação, responsabilização, abertura e coerência.
Este conceito está longe de ser totalmente aplicado com resultados satisfatórios, isso mesmo demonstram as últimas estatísticas da Comissão Europeia que analisou alguns parâmetros chave para “tirar o pulso” à Boa Governança europeia.
A UE tem sido percursora neste domínio, instituindo em 2000 este conceito como parte integrante na Estratégia Europeia de Desenvolvimento Sustentável, e tendo em 2001 lançado o Livro Branco sobre a Boa Governança.
Com o objectivo de criar uma consciência internacional nesta área tem-se apostado fortemente em sensibilizar os governos fora da UE para este tema, de modo a criar uma dinâmica global de governos abertos e transparentes perante os cidadãos e perante os parceiros internacionais.
A adopção integral desta nova forma de governos é a melhor forma de evitar abusos, de detectar irregularidades e de formar cidadãos participativos e empenhados com as politicas dos seus países.
Apesar de ser um conceito global ele também deve ser uma aposta do Governo açoriano. Este é um desafio para o futuro governo açoriano e para Carlos César. Nada melhor que no ultimo mandato, a partir de Outubro do próximo ano, o actual e futuro governante lançar politicas de boas práticas nesta área e deixar um dia a presidência com a máquina governativa açoriana capaz de ser um Case Study dentro da UE e das RUP’s.
Apostar na Boa Governança é apostar num futuro mais participativo e responsável de todos.
PS – Acho muita piada a facistas ressabiados que se julgam donos da verdade, e se fazem passar por cidadãos exemplares.
17:07 Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
A Boa Governança
O tema da Boa Governança (Good Governance em inglês) é ainda pouco conhecido do público em geral, mas é um tema cada vez mais central em política. Foi de resto um dos temas abordados na recente Cimeira UE – Africa.
Este conceito consiste, em conjunto, o processo de criar melhores políticas e também o processo pela qual estas decisões políticas são implementadas. Não se deve confundir com Governação – acto de governar – com a Governança que tem a ver com a qualidade e transparência das políticas de governação.
Este é claramente um conceito deste século, porque os cidadãos hoje exigem estar informados e ser participantes nas decisões governamentais.
A Boa Governança é sinónimo de transparência, participação, responsabilização, abertura e coerência.
Este conceito está longe de ser totalmente aplicado com resultados satisfatórios, isso mesmo demonstram as últimas estatísticas da Comissão Europeia que analisou alguns parâmetros chave para “tirar o pulso” à Boa Governança europeia.
A UE tem sido percursora neste domínio, instituindo em 2000 este conceito como parte integrante na Estratégia Europeia de Desenvolvimento Sustentável, e tendo em 2001 lançado o Livro Branco sobre a Boa Governança.
Com o objectivo de criar uma consciência internacional nesta área tem-se apostado fortemente em sensibilizar os governos fora da UE para este tema, de modo a criar uma dinâmica global de governos abertos e transparentes perante os cidadãos e perante os parceiros internacionais.
A adopção integral desta nova forma de governos é a melhor forma de evitar abusos, de detectar irregularidades e de formar cidadãos participativos e empenhados com as politicas dos seus países.
Apesar de ser um conceito global ele também deve ser uma aposta do Governo açoriano. Este é um desafio para o futuro governo açoriano e para Carlos César. Nada melhor que no ultimo mandato, a partir de Outubro do próximo ano, o actual e futuro governante lançar politicas de boas práticas nesta área e deixar um dia a presidência com a máquina governativa açoriana capaz de ser um Case Study dentro da UE e das RUP’s.
Apostar na Boa Governança é apostar num futuro mais participativo e responsável de todos.
PS – Acho muita piada a facistas ressabiados que se julgam donos da verdade, e se fazem passar por cidadãos exemplares.
17:05 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
15 Dezembro 2007
Entrevista ao DI
14:30 Escrito em Porquê Pensar a Europa | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail
14 Dezembro 2007
Prós e Contras na RTP1
Esta semana o debate “Prós e Contras”na RTP 1 focou os temas da Cimeira Europa-África e do Tratado de Lisboa.
De um lado as vozes de Pacheco Pereira e Miguel Portas, fazendo o papel de contestatários, e do outro João Cravinho (Secretário de Estado dos Assuntos Europeus) e um Eurodeputado do PS que tinham as posições mais institucionais e de alinhamento comunitário.
Foi óbvio, que o lado europeu e institucional ficou a perder, pelo mérito da boa argumentação de Portas e Pacheco e pelo demérito de dois intervenientes euro-convictos que tinham um discurso demasiado formatado e uma fraca expressividade e determinação a defenderem as suas posições.
Foi com desagrado que vi que no painel de jovens que puderam intervir no debate e colocar questões à mesa, haviam alunos de vários cursos e áreas do saber, menos de Estudos Europeus. Isto demonstra que apesar de sermos (teoricamente) os mais qualificados para falar nestas situações, ninguém sabe que existimos.
Foi visível que existem duas posições bastante divergentes no seio da UE: uma que tem grandes duvidas sobre a construção europeia, sobre o Tratado e sobre o futuro da UE; e outra que defende a integração, que acredita que este é o melhor caminho, e que relega o papel dos cidadãos para segundo plano.
Acerca da discussão sobre o Tratado, e como seria de esperar, as posições pró referendo e contra-referendo fizeram-se notar. Este é um debate estéril que não contempla a verdadeira magnitude do problema. O debate de 20 anos de integração de Portugal na Europa não se faz na campanha para um referendo. O défice de conhecimento europeu por parte da população é estrutural e exige uma mudança de mentalidade que não produz efeito a curto ou médio prazo. Temo que um referendo seja um pretexto para se debater questões laterais e fazer campanha interna em vez de esclarecer os cidadãos. E continuo a achar que um texto jurídico daquela envergadura não é referendável.
Interessante foi ver a posição sobre o Alto Representante da Politica Externa da UE. Pacheco Pereira no seu estilo habitual disse que não são possíveis consensos em matérias fulcrais de politica externa, bem como Miguel Portas. Fica claro que o que se criou foi uma figura de “faz de conta”. Até os representantes institucionais não se alargaram muito na questão, porque percebem que esta figura não terá muito espaço de manobra e está condenada ao fracasso.
Só faltou neste debate sobre a Europa ouvir aquilo que é 99% dela: o povo. Ai teria sido interessante ver a Fátima Campos Ferreira estar a fazer perguntas durante 3 horas a pessoas comuns e ouvir sempre a mesma resposta: “Ham?!”
Ficou claro que a percepção sobre a Europa requere uma mudança de atitude das instâncias politicas e uma urgente “Educação para a Europa” que dê aos cidadãos instrumentos para compreender esta realidade complexa e em constante mutação.
22:15 Escrito em Porquê Pensar a Europa | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
29 Novembro 2007
Ainda sobre a Euribor
Nem a propósito daquilo que escrevi no ínicio da semana e que foi publicado hoje no DI,
surge a notícia no Jornal de Negócios que Jean Claude Trichet está entre a espada e a parede.
Por um lado, tem o sobreaquecimento da maior economia europeia, a alemã,
que exige uma subida da taxa de referência para acalmar o forte impeto inflacionista dos ultímos tempos.
E por outro, a necessidade em manter ou até mesmo baixar a actual taxa devido á
ressaca dos mercados mundiais que teve como causa a crise do subprime.
São sem dúvida dois problemas que exigem soluções opostas, e que o governador do BCE
terá de lidar com extrema cautela.
22:50 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
A Euribor
Hoje, com o acesso generalizado ao crédito, em especial o crédito à habitação, fala-se em juros e em Euribor apesar de haver muito pouco conhecimento em relação a esta taxa.
É comum a pessoas queixarem-se do aumento dos juros na sua prestação mensal do crédito à habitação, e nas conversas de café a responsabilidade deste aumento contínuo é imputado ao governo. Nada mais falso! O governo português, bem como os restantes europeus, não tem qualquer tipo de controlo sobre esta taxa.
Mas para perceber a necessidade da Euribor e os seus benefícios e custos é necessário clarificá-la.
Tudo começou a 1 de Janeiro de 1999, com a Europa a ganhar uma nova moeda, o Euro. E até esta data, 12 países da União Europeia adoptaram o Euro.
Desta forma, um novo Mercado financeiro emergiu depois da introdução do Euro, tendo passado a ter as suas medidas próprias (benchmarks).
Estes benchmarks para o dinheiro e mercados de capitais na zona euro são a Euribor (Euro Interbank Offered Rate) e a Eonia (Euro OverNight Index Average).
Trocado por miúdos, isto significa que os grandes bancos europeus emprestam dinheiro uns aos outros a determinado preço, e a taxa a que o dinheiro é emprestado chama-se Euribor.
Mas quem determina os valor a que eles emprestam o dinheiro? È o próprio mercado que aqui funciona com as leis básicas da oferta e da procura.
Contudo é o Banco Central Europeu que estabelece uma base para a Euribor. Portanto quando se ouve dizer que o BCE fixou a taxa de referência em 4% isto não significa que a Euribor esteja a esse valor. Este é apenas o ponto de partida, porque o valor negociado entre bancos é sempre superior, chegando por vezes a ser quase um ponto percentual maior.
Até agora deu para perceber que a culpa do aumento do crédito à habitação não é do governo. É resultado de um ponto de partida estabelecido pelo BCE – a taxa de referência – e das leis normais de mercado, com a compra e venda de dinheiro entre bancos.
Mas tão importante como perceber como funciona a Euribor, é entender se a entrada na Euro e neste novo mercado nos trouxe vantagens competitivas em relação ao passado.
Em primeiro lugar, a taxa de referência do BCE é fundamental para manter um controlo saudável da Economia europeia. Entre as várias funções desta taxa conta-se o controlo da inflação. Se há tendência para subir a inflação – devido a sobreaquecimentos das economias europeias – aumentando-se o valor do dinheiro, coloca-se um travão ao consumo, e por conseguinte à inflação.
Em segundo lugar, este mercado de empréstimo entre bancos, tendo por base a Euribor, garante-nos, mesmo sem nos apercebermos, um grande Mercado integrado com uma moeda única; um painel impressionante de bancos de referência (o único banco português que faz parte deste grupo é a CGD) com métodos de empréstimo de alto nível; um sólido Código de Conduta com regras estritas para o painel de bancos; um Comité de Acompanhamento independente composto por especialistas de mercado que zelam pela aplicação do Código de Conduta e que monitorizam os desenvolvimentos do mercado.
Ou seja, pagamos hoje um preço por um mercado mais competitivo, mais seguro, mais transparente. Nesta relação entre custo benefício não tenho a duvida que saímos largamente beneficiados.
15:12 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
28 Novembro 2007
Europeísta
"O Europeísta que não é crítico é empregado do Bismarck"
José Avelino Maltez
15:46 Escrito em Porquê Pensar a Europa | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
16 Novembro 2007
O Erro da JS
Lia-se, há uns tempos, neste mesmo jornal uma entrevista ao actual líder da JS-Açores, Berto Messias, que explicava a sua grande bandeira política de fixar jovens licenciados nas ilhas, ideia essa que tinha levado a Congresso recentemente.
A ideia tem mérito e defende sobretudo os sectores saúde e novas tecnologias como prioritários, recorrendo também à capacidade empreendedora dos jovens açorianos. Todavia tem um problema grave: é uma ideia que começa pelo tecto em de vez de começar pelos alicerces.
O que a JS fez foi, basicamente, “dourar a pílula” projectando-a mediaticamente e relegando para segundo o longo caminho estrutural para ter jovens empreendedores açorianos a operarem nas ilhas.
Não é possível neste momento integrar plenamente jovens licenciados num mercado minúsculo como é açoriano. Sim (!) minúsculo porque, por exemplo, hoje na Europa o mercado interno são 450 milhões de pessoas, e nós insulares estamos muito longe sequer de ter 1 milhão. Isto significa que não pode haver empresas privadas com volumes de negócios suficientes, para ter equipas altamente especializadas de jovens quadros a trabalharem.
Isto também significa que todos aqueles que quiserem ter uma dimensão aceitável, terão de apostar na exportação para fora do arquipélago, o que traduz mais um problema grave que é o de sermos uma ultraperiferia, onde os custos de transporte são preponderantes. Situação esta que, logo à partida não permite termos nos açores certos tipos de industria que seriam muito atractivas.
Outro problema estrutural grave é que o sector privado nas ilhas carece de visão e de dimensão. O problema da dimensão compreende-se face aos condicionalismos espaciais. Já o de visão só se explica com uma cultura que prefere empregados a trabalhar ao preço da chuva, do que especialistas bem remunerados que podem criar valor à empresa e modernizar a sua estrutura para melhor responder aos desafios do mercado global.
A JS quer os jovens açorianos a apostar na Tecnologia da Informação. Muito bem! Mas como se pode desenvolver produtos e serviços competitivos se existe um divórcio entre a Universidade dos Açores e o meio empresarial? Como se podem construir empresas sólidas sem “incubadoras” de negócio à imagem do que existe no continente? Como se pode ser competitivo na área explosiva das tecnologias sem parques tecnológicos de 3ª Geração designados como “Cidades do Conhecimento”? Não se pode…
O segredo é antes de se começar pelo tecto da casa, fazem-se umas boas fundações e constroem-se boas paredes. Isto significa educar melhor no secundário (as escolas açorianas aparecem todas abaixo da posição 200 do ranking nacional), apostar num ensino técnico de qualidade, criar condições efectivas para o empreendedorismo, construir plataformas logísticas eficazes e capazes de escoar produtos com qualidade e eficiência diminuindo os custos de transporte.
Quando a JS-Açores apresentar as suas propostas ao Parlamento açoriano até ao final do ano, certamente, terá todas estas questões em atenção. Outra coisa não é de esperar.
PS – O PSD, num processo de reestruturação nacional, quer vender a sua sede em Lisboa. Talvez possa alargar a iniciativa e vender o PSD-Açores. A repetente nova liderança do PSD-Açores deve ter em atenção que “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.
16:48 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail


