11 Maio 2007

Dominar o Sistema

Há dois tipos de pessoas no mundo: as que estão dentro do sistema e as que estão fora.
As que estão dentro do sistema correspondem a 20% da população mundial que detêm 86% do consumo mundial. Chocado? Provavelmente, 100% das pessoas que estão a ler este artigo incluem-se neste número. Muitos acharão isto inacreditável já que, vivem com salários baixos, muitas contas para pagar e uma gestão mensal minuciosa do orçamento familiar.
Fazemos todos parte deste gigantesco sistema que é a Globalização, e que bem ou mal, tem permitido um crescimento sem precedentes do mundo ocidental e a melhoria das condições de vida dos cidadãos. Isto significa que sem se aperceber faz parte do sistema e tira diariamente partido dele.
Aquilo que distingue um ocidental comum com um trabalho comum, um ordenado pequeno demais para aquilo que se quer, e uma contabilidade severa daquelas que ganham milhões é a atitude perante o sistema.
O que separa Bill Gates de mim e de si é que ele não só esta no sistema como controla-o e subverte-o para seu proveito. É isto errado? Não. A magia desta Era é que pode estar numa qualquer garagem um puto borbulhento com o sistema operativo do futuro e por conseguinte o próximo homem mais rico do mundo. E sabe porque? Porque alguns, não muitos, dominam o sistema, enquanto o resto limita-se a fazer parte dele.
O que esta de errado neste quadro é a face negra desta moeda. A 80% da população mundial corresponde 16% do consumo. Isto não são só um número, são milhões de crianças, mulheres, idosos e homens que vivem com menos de 2 dólares por dia. O que faria com 2 dólares? Só dá mesmo para comprar arroz e viver na mais completa e miserável penúria.
Foi há mais de mais de 250 anos que a Academia de Dijon (1754) lançou uma pergunta e ofereceu um prémio a quem conseguisse respondê-la: Qual é a origem da desigualdade entre os homens? No mundo evoluído em que vivemos ninguém ainda deu uma explicação definitiva para esta antiga pergunta. Na verdade, o sistema actual devia estar a diminuir o fosso entre ricos e pobres e em vez disso esta a acentuá-lo.
A si cabe decidir de que lado quer estar: dos que vivem no sistema; dos que dominam o sistema; ou dos que são lixados por ele.
Sei que vai escolher uma das duas primeiras mas, não se esqueça daqueles que por terem nascido no lado errado do mundo não vêem a Estrela Polar.

PS – Um antigo professor meu e grande mestre, Rogério Roque Amaro, escreveu “A luta contra a pobreza e a exclusão social faz hoje parte dos imperativos da Humanidade na salvaguarda do seu futuro”.



09 Maio 2007

9 de Maio

Parabéns Europa!!!

Aqui fica o texto que alterou profundamente o destino de um continente.



DECLARAÇÃO SCHUMAN

Declaração de 9 de Maio de 1950


A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam.

O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Ao assumir-se há mais de 20 anos como defensora de uma Europa unida, a França teve sempre por objectivo essencial servir a paz. A Europa não foi construída, tivemos que enfrentar a guerra.

A Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto. A união das nações europeias exige que seja eliminada a secular oposição entre a França e a Alemanha: a acção deve envolver principalmente estes dois países.

Com esse objectivo, o Governo francês propõe actuar imediatamente num plano limitado mas decisivo:

«O Governo francês propõe subordinar o conjunto da produção franco-alemã de carvão e de aço a uma Alta Autoridade comum, numa organização aberta à participação dos outros países da Europa.»

Colocar em comum as produções de carvão e de aço garantirá imediatamente o estabelecimento de bases comuns de desenvolvimento económico, primeira etapa da federação europeia, e mudará o destino de regiões durante muito tempo condenadas ao fabrico de armas de guerra, das quais foram as primeiras vítimas.

A solidariedade de produção assim alcançada revelará que qualquer guerra entre a França e a Alemanha se torna não só impensável como também materialmente impossível. A criação desta poderosa unidade de produção aberta a todos os países que nela queiram participar permitirá fornecer a todos os países que a compõem os elementos fundamentais da produção industrial em condições idênticas, e lançará os fundamentos reais da sua unificação económica.

Esta produção será oferecida a todos os países do mundo sem distinção nem exclusão, a fim de participar na melhoria do nível de vida e no desenvolvimento das obras de paz. Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano.

Assim se realizará, simples e rapidamente, a fusão de interesses indispensável à criação de uma comunidade económica e introduzirá o fermento de uma comunidade mais vasta e mais profunda entre países durante muito tempo opostos por divisões sangrentas.

Esta proposta, por intermédio da colocação em comum de produções de base e da instituição de uma nova Alta Autoridade cujas decisões vincularão a Alemanha, a França e os países aderentes, lançará as primeiras bases concretas de uma federação europeia indispensável à preservação da paz.

A fim de prosseguir a concretização dos objectivos assim definidos, o Governo francês está disposto a iniciar negociações nas seguintes bases.

A missão atribuída à Alta Autoridade comum consistirá em assegurar, a breve trecho: a modernização da produção e a melhoria da sua qualidade; o fornecimento, em condições idênticas, de carvão e de aço aos mercados alemão, francês e dos países aderentes; o desenvolvimento da exportação comum para outros países; a harmonização no progresso das condições de vida da mão-de-obra dessas indústrias.

Para atingir estes objectivos a partir das condições muito díspares em que actualmente se encontram as produções dos países aderentes, deverão ser tomadas, a título provisório, determinadas disposições, incluindo a aplicação de um plano de produção e de investimentos, a instituição de mecanismos de perequação dos preços e a criação de um fundo de reconversão destinado a facilitar a racionalização da produção. A circulação do carvão e do aço entre os países aderentes será imediatamente isenta de qualquer direito aduaneiro, não podendo ser afectada por tarifas de transporte distintas. Progressivamente, criar-se-ão condições para assegurar espontaneamente a repartição mais racional da produção ao mais elevado nível de produtividade.

Ao contrário de um cartel internacional que tende a repartir e explorar os mercados nacionais com base em práticas restritivas e na manutenção de elevados lucros, a organização projectada assegurará a fusão dos mercados e a expansão da produção.

Os princípios e compromissos essenciais acima definidos serão objecto de um tratado assinado entre os Estados. As negociações indispensáveis para precisar as medidas de aplicação serão realizadas com a assistência de um mediador designado de comum acordo; este terá a missão de velar por que os acordos respeitem os princípios e, em caso de oposição irredutível, fixará a solução a adoptar. A Alta Autoridade comum, responsável pelo funcionamento de todo o regime, será composta por personalidades independentes designadas numa base paritária pelos governos; o presidente será escolhido de comum acordo entre os governos; as suas decisões serão de execução obrigatória na Alemanha e em França e nos restantes países aderentes. As necessárias vias de recurso contra as decisões da Alta Autoridade serão asseguradas por disposições adequadas. Um representante das Nações Unidas junto da referida Alta Autoridade elaborará semestralmente um relatório público destinado à ONU, dando conta do funcionamento do novo organismo, nomeadamente no que diz respeito à salvaguarda dos seus fins pacíficos.

A instituição da Alta Autoridade em nada prejudica o regime de propriedade das empresas. No exercício da sua missão, a Alta Autoridade comum terá em conta os poderes conferidos à autoridade internacional da região do Rur e quaisquer outras obrigações impostas à Alemanha, enquanto estas subsistirem.

 

04 Maio 2007

A Madeira ao Rubro

Na recta final da campanha madeirense para as regionais surge a incrível notícia que Jardim gastará mais de três milhões de euros. E se o número já é impressionante de si – superior ao que Cavaco Silva gastou nas presidenciais – é bom lembrar que este homem que tanto vai gastar é o mesmo que se demitiu por falta de dinheiro.
A questão dos gastos toma uma dimensão absurda se analisarmos que estes números impressionantes advém dos impostos dos portugueses bem como de donativos “não contabilizados, que representam os festejos oferecidos pelos adjudicatários das obras públicas - um terço das empreitadas pertence à construtora de empresários sociais-democratas AFA - e pelos proprietários dos empreendimentos privados inaugurados pelo presidente madeirense e candidato do PSD durante o período eleitoral”, segundo noticiou o Público.
A Madeira consegue cada vez mais o seu objectivo político de se tornar independente em relação a Portugal pois, é cada vez mais uma República das Bananas, literal e figuradamente...
No meio de todo este vortex político surreal Marques Mendes tem mantido uma postura de silêncio comprometedora, que descredibiliza o poder da sua liderança e o controlo do PSD em relação aos seus problemas internos. Isto na prática significa que Mendes escolheu, como forma de lidar com o problema, um “assobiar para o lado” como se não fosse nada com ele.
Todavia, o Alberto da Madeira ao que parece vai ganhar as eleições com nova maioria absoluta e o circo político que protagonizou será um sucesso. Até já veio a publico falar numa “legitimidade democrática” pós-eleições para renegociar a Lei das Finanças Regionais.
Independentemente das futuras, e imprevistas posições do Delfim madeirense, os Governo açoriano deve distanciar-se do enclave independentista de modo a não criar sentimentos continentais de repulsa que se sentem pela situação madeirense.
O prestígio e bom nome dos Açores não devem ser postos em causa por uma qualquer aliança de circunstância com o líder madeirense.


PS – Enquanto a autarquia de Lisboa mergulhava em mais uma crise com a possibilidade do seu Presidente ser constituído arguido num caso de corrupção, Carmona foi ver motas para Inglaterra.

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