13 Junho 2007

Rumo ao Empowerment Regional

Em boa hora o PSD colocou o desenvolvimento rural na agenda política terceirense.
Contudo a forma como foi proposta não me parece a mais viável. António Ventura propôs a criação de um Conselho de Desenvolvimento Rural, que tem tanto de potencial como de entrave.
Actualmente temos a associação de desenvolvimento regional GRATER que, apesar de trabalhar no âmbito do programa LEADER, já congrega muitas associações e instituições políticas que trabalham a questão do desenvolvimento local/rural. Ora a GRATER deve ser tomada como exemplo daquilo a não fazer. Recentemente elaborei um trabalho precisamente sobre a GRATER onde percebi a sua pequena dimensão e a sua quase inoperância actual. Mas o tema não é a GRATER.
Em vez de se criar um Conselho que multiplique os intervenientes, que aumente a burocracia e que trave um processo rápido e claro de tomadas de decisão, sugiro o empowerment das diversas associações já existentes.
Antes de explicar o “como”, terei de apresentar este conceito. O empowerment pode ser traduzido à letra por empoderamento (tradução aceitável do brasileiro). Este conceito grosso modo significa um aumento da força espiritual, política, social ou económica dos indivíduos e das comunidades, levando ao desenvolvimento da capacidade de acreditar nas capacidades dos intervenientes. Esta definição aparece mais ao menos assim na Wikipedia e parece-me um bom ponto de partida.
Voltando ao empowerment das associações, ele não é mais do que, baseado no principio da subsidiariedade vertical ascendente (ou subsidiariedade horizontal) que falei há uns tempos atrás, dar às associações especializadas nas suas diversas áreas mais capacidade financeira, mais poder de decisão, mais legitimidade e mais confiança por parte do governo.
Quanto mais simples for o caminho entre produtor e consumidor, mais todos ficam a ganhar. Criar mais associações e conselhos e burocracias apenas irá atrapalhar aquela que é uma ideia louvável à partida: falar de desenvolvimento rural e sobretudo promovê-lo.
As sinergias não devem ser feitas com processos complicados e de hierarquias que irão castrar os desígnios iniciais, mas devem ser fruto de negociação directa entre as diversas associações acabando com os intermediários do costume.
Não é fácil este processo de empowerment pois ele encontra sempre grande resistência no poder político, com medo de perder o seu lugar de decisão. Mas um passo firme neste sentido pode provocar a mudança e dar à nossa ilha uma ruralidade competitiva, organizada e democrática.


PS – Costa Neves foi constituído arguido no caso Portucale. Esperemos que nos Açores se continue a não julgar pessoas na praça pública. Somos um Estado de Direito Democrático, logo qualquer um arguido é inocente até prova em contrário.




06 Junho 2007

Demasiado Oxigénio

Todo os dias, quando chego das aulas, tiro o DI da caixa do correio e ponho-me a par das notícias da minha terra. Folheio todo o jornal, desde os artigos de opinião, passando pela actualidade regional, até à publicidade.
Desde há uns meses para cá presto especial atenção a alguns artigos de opinião. Ora ataques sem fundamento ao governo regional, ora artigos de bajulação, quase publicidade gratuita ao mesmo governo.
Em todos os casos o leitor exigente preocupa-se com esta guerra de palavras não só porque é confusa, mas também porque esconde fortes interesses partidários, transformando as páginas deste jornal numa espécie de campanha eleitoral non-stop.
Verdade seja dita, há dois grandes comentadores neste jornal. Um espanta o leitor com as suas histórias da cova da Serreta ao domingo, outro assina só com iniciais mas tem uma perspicácia de grandes nomes, ambos gozam de uma experiência de vida respeitável.
Mas o que me tem chamado mais atenção é o actual líder da oposição e os seus artigos sobre esse gás indispensável à vida: o Oxigénio
Sugere o título e os seus artigos que a democracia açoriana está com falta de oxigénio e que o autor está disposto a ser a nossa árvore produtora de oxigénio.
À parte a partidarice que inunda os artigos e o final com que sempre acaba, dizendo que é necessário um novo governo, de preferência um em que ele seja o presidente, houve umas afirmações que o mesmo proferiu há umas semanas que me deixaram perplexo.
Dizia o Dr. Carlos Costa Neves que os jovens que o governo andava a colocar como chefes nos postos da RIAC eram jovens demais. Que coisa mais estranha, pensei eu. Um líder da oposição que ataca uma grande parte dos seus votantes: os jovens e as suas capacidades. Mas depois de pensar melhor notei que as afirmações não eram assim tão estranhas vindas de onde vinham. O PSD mantém a boa tradição de Mota Amaral segundo a qual só a partir dos 50 anos se podia ser algué e que só os anos passados a fazer a mesma tarefa repetidamente davam as qualificações necessárias para se ser chefe nessa área. É triste, mas é assim que muita gente ainda concebe o mundo. Hoje um jovem licenciado com 2 anos de experiência produz, em metade do tempo, o dobro do que produzia um qualquer chefe no tempo do Dr. Mota Amaral.
Devo dizer que também fiquei um bocado confuso com o artigo do ecrã, onde não percebi se fazia bem ou mal ver televisão, já que o Dr. Costa Neves numa atitude hiper-centrista deu-nos a entender que só sabe que nada sabe.
É por isso que chamo a atenção a todos para os malefícios tanto da falta de oxigénio, que provoca a morte, como os malefícios do seu excesso, que também pode provocar a morte.
Fica o pedido para todos quantos escrevem nesta 2ª página do DI que não transformem a opinião pública num campo de batalha partidário.

PS – Estive três semanas sem escrever porque o final do meu curso está-me a sugar cada segundo livre. Espero a partir de agora continuar a escrever ao ritmo de antes.