29 Novembro 2007
A Euribor
Hoje, com o acesso generalizado ao crédito, em especial o crédito à habitação, fala-se em juros e em Euribor apesar de haver muito pouco conhecimento em relação a esta taxa.
É comum a pessoas queixarem-se do aumento dos juros na sua prestação mensal do crédito à habitação, e nas conversas de café a responsabilidade deste aumento contínuo é imputado ao governo. Nada mais falso! O governo português, bem como os restantes europeus, não tem qualquer tipo de controlo sobre esta taxa.
Mas para perceber a necessidade da Euribor e os seus benefícios e custos é necessário clarificá-la.
Tudo começou a 1 de Janeiro de 1999, com a Europa a ganhar uma nova moeda, o Euro. E até esta data, 12 países da União Europeia adoptaram o Euro.
Desta forma, um novo Mercado financeiro emergiu depois da introdução do Euro, tendo passado a ter as suas medidas próprias (benchmarks).
Estes benchmarks para o dinheiro e mercados de capitais na zona euro são a Euribor (Euro Interbank Offered Rate) e a Eonia (Euro OverNight Index Average).
Trocado por miúdos, isto significa que os grandes bancos europeus emprestam dinheiro uns aos outros a determinado preço, e a taxa a que o dinheiro é emprestado chama-se Euribor.
Mas quem determina os valor a que eles emprestam o dinheiro? È o próprio mercado que aqui funciona com as leis básicas da oferta e da procura.
Contudo é o Banco Central Europeu que estabelece uma base para a Euribor. Portanto quando se ouve dizer que o BCE fixou a taxa de referência em 4% isto não significa que a Euribor esteja a esse valor. Este é apenas o ponto de partida, porque o valor negociado entre bancos é sempre superior, chegando por vezes a ser quase um ponto percentual maior.
Até agora deu para perceber que a culpa do aumento do crédito à habitação não é do governo. É resultado de um ponto de partida estabelecido pelo BCE – a taxa de referência – e das leis normais de mercado, com a compra e venda de dinheiro entre bancos.
Mas tão importante como perceber como funciona a Euribor, é entender se a entrada na Euro e neste novo mercado nos trouxe vantagens competitivas em relação ao passado.
Em primeiro lugar, a taxa de referência do BCE é fundamental para manter um controlo saudável da Economia europeia. Entre as várias funções desta taxa conta-se o controlo da inflação. Se há tendência para subir a inflação – devido a sobreaquecimentos das economias europeias – aumentando-se o valor do dinheiro, coloca-se um travão ao consumo, e por conseguinte à inflação.
Em segundo lugar, este mercado de empréstimo entre bancos, tendo por base a Euribor, garante-nos, mesmo sem nos apercebermos, um grande Mercado integrado com uma moeda única; um painel impressionante de bancos de referência (o único banco português que faz parte deste grupo é a CGD) com métodos de empréstimo de alto nível; um sólido Código de Conduta com regras estritas para o painel de bancos; um Comité de Acompanhamento independente composto por especialistas de mercado que zelam pela aplicação do Código de Conduta e que monitorizam os desenvolvimentos do mercado.
Ou seja, pagamos hoje um preço por um mercado mais competitivo, mais seguro, mais transparente. Nesta relação entre custo benefício não tenho a duvida que saímos largamente beneficiados.
15:12 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail


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