02 Janeiro 2008
Emparcelados
Nos últimos dias muito se tem falado de lavoura e sobretudo na questão do emparcelamento. Contudo o que parece que necessita de um emparcelamento urgente é a cabeça de alguns que falam sem conhecimento de causa.
Que o emparcelamento é urgente e necessário todos sabem, que é factor essencial na modernização da agricultura ninguém duvida, mas ninguém avança com propostas concretas.
Em primeiro lugar é preciso identificar as causas dos atrasos nesta área. Por um lado, temos a fraca legislação e apoios nestas área aliadas ao desconhecimento dos agricultores, e por outro, a forte resistência à mudança da lavoura açoriana.
O líder do PSD-Açores como sempre apressou-se a culpar o actual governo pela desastrosa situação avançando com a necessidade fundamental de se tomar medidas concretas. Ora nem ele deve saber o que fazer porque, bem à sua imagem, fala dos problemas mas não apresenta soluções para os resolver. Esta é uma questão que tem diversos culpados, começando pelos governos de Motas Amaral, passando pelo actual governo, até aos próprios agricultores.
Ao contrário do que o líder da lavoura de S. Miguel Jorge Rita disse, a lavoura açoriana não representa 50% da nossa economia, nem de perto nem de longe. E muito menos que a agricultura familiar é essencial no contexto açoriano.
A agricultura familiar, como forma exclusiva de sustento, tem os dias contados que pela falta competitividade, quer pela geração de receitas muitas vezes inferiores à despesa e só deve ser considerada num cenário de actividade complementar para algumas famílias, e nunca como actividade exclusiva.
È preciso encarar o problema de frente e sem medo afirmar que a falta de visão de alguns agricultores, bem como a teimosia em preservar pedaços de terreno sem valor são o maior entrave ao emparcelamento. Há uma certa mediocridade na visão da agricultura e dos factores de produção a ela associados, como é o caso da terra.
Por estas e outras razoes é o próprio mercado livre e aberto que está muito lentamente a fazer este próprio emparcelamento, através da aquisição de terrenos por parte daqueles que tem mais visão, são mais abertos à mudança e mais empreendedores.
As pequenas lavouras de 20 cabeças de gado não tem sentido numa economia de mercado competitiva, contribuindo apenas para sugar fundos, quer regionais, quer comunitários, sem produzir valor acrescentado.
Uma solução possível será a união dos agricultores em cooperativas para que possam criar, com base em solidariedade e confiança comum, um emparcelamento efectivo.
Outra solução com enormes custos sociais, e bem mais plausível, é o próprio mercado se reestruturar deixando apenas as grandes lavouras capazes de subsistir num cenário de economia de escala.
Fale-se do emparcelamento, mas sem medo de ferir susceptibilidades.
PS – Um 2008 com tudo de melhor!
16:12 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail


Comentários
Porra pá, tens a mania que és o maior.... e olha que estás lá perto.
Escrito por: alguém | 18 Novembro 2008
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