29 Janeiro 2008

A César o que é de César

A candidatura anunciada
No passado dia 26, Carlos César, actual Presidente do Governo Regional dos Açores, anunciou a esperada candidatura à liderança do PS-Açores e consequentemente à liderança do próximo Governo Regional.
Num discurso dividido em três partes, a primeira parte direccionada ao partido e aos militantes com o anúncio formal da sua candidatura, a segunda virada para Lisboa com um tomar firme de posição em relação ás pretensões e direitos do povo açoriano, e a terceira num discurso firme visando a oposição insular.
Foi uma intervenção bem estruturada denotando uma experiência acumulada ao longo dos últimos dozes anos, que transpareceu por um lado um estilo mais apagado e menos carismático que aquele que nos tinha vindo habituando, mas por outro manifestando uma visão alicerçada pela forma exímia como tem conduzido o poder regional na última década.
Teve uma posição muito firme em relação ao Estatuto Politico Administrativo, o que a certa altura o fez perder o controlo da audiência, ficando muitos temporariamente desinteressados num tema que tem tanto de importante como de maçador para a maioria dos açorianos. A expressão que utilizou que era hoje um político “de bolsos cheios” espelhou bem a posição de força que teve de tomar na última conversa com José Sócrates, anunciando grandes e importantes alterações à nossa carta autonómica.
A oposição
No seu discurso virado para a oposição não se limitou apenas a falar da obra feita mas também das suas perspectivas futuras, deixando vincando que era o homem certo para continuar a comandar os destinos insulares e que a oposição não seria capaz de o fazer tão bem quanto ele. Na verdade, o prestígio, a experiência e a convicção com que faz politica, deixa pouco espaço de manobra aos seus mais directos opositores. O único partido que tem conseguido conviver, devido à posição inteligente do seu líder, é o CDS-PP. Isto deve-se aquilo que o director deste mesmo jornal falava há dias: a RealPolitik. O PSD continua, mais de uma década depois, a ser uma chama fraca de Mota Amaral.
César demonstrou que é hoje um político que escolhe muito bem as suas batalhas e que não está na política para perder. Para a oposição este é um adversário quase impossível de vencer, acrescentando-se ainda o estado de deriva que o maior partido da oposição nos tem habituado.
Conclusões
A campanha para se escolher o inquilino do Palácio de Santana arrisca-se a ser um calmo passeio de César, reforçando no seu último mandato a imagem de líder incontestado que deixou desde a segunda metade da década de noventa e na primeira década do novo século.
Será de esperar que no epílogo da sua governação queira deixar a “casa arrumada” com a afirmação de politicas modernas e de uma imagem consolidada dos Açores perante o Continente português e a Europa.
É plausível, que pelas circunstancias excepcionais do próximo mandato, Carlos César crie as condições para que seja o seu melhor.

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