31 Julho 2008
Um mau exemplo (Parte 2)
O meu último artigo, sobre a Freguesia de Santa Bárbara e a actuação da Junta, causou grande debate e até alguma celeuma por aquelas partes.
Apesar de não querer tornar isto num “caso”, importa esclarecer alguns mal entendidos que surgiram em discussão na praça pública.
Em primeiro lugar, a questão de se colocar uma placa numa obra com a inscrição “Propriedade da Junta de Freguesia” demonstra bem a necessidade de ser reclamada obra cuja ideia e execução pouco pertenceu à Junta. Esta situação teria facilmente sido resolvida como fizeram, recentemente, numa obra no Porto Judeu em que se colocou “Património da Freguesia”. Assim as questões éticas e de usurpação não estariam em causa.
Em segundo lugar, é preciso que alguns em Santa Bárbara, felizmente não todos, percebem que a crítica construtiva e o debate público fazem parte do processo democrático e que deste debate, desta dinâmica, poderão nascer novas ideias e paradigmas. Contudo alguns ainda convivem mal com a crítica, certamente sinal de tempos idos e de privilégios perdidos.
Em terceiro lugar, apesar dos inúmeros apoios que me chegaram da parte de muitos barbarenses, aqueles que me criticaram nunca o fizeram directamente. Pior ainda, chegou-me aos ouvidos a possibilidade de represálias por parte de alguns que não interessa nomear. Apesar de não acreditar que, mais de trinta anos depois do 25 de Abril, alguém possa querer abafar o debate democrático com represálias, tal situação merece duas posições: primeiro, a ser verdade constituiria um sinal preocupante do modo como se faz politica em Santa Bárbara; segundo: a confirmar-se tal situação a reposta seria de tal forma incisiva, que constituiria um exemplo para quem assim pensa. Como dizia o Poeta-Deputado Manuel Alegre “a mim ninguém me cala”.
Por último, interessa frisar que o primeiro artigo e este, não constituem qualquer declaração de candidatura à Junta de Freguesia. Tendo sido uma das principais conclusões, que algumas mentes retiraram do artigo, importa esclarecer que só uma falta gritante de conhecimento de “timings” políticos pode retirar tais conclusões a mais de um ano de eleições autárquicas.
Não fazendo parte dos meus planos, por questões profissionais e de posicionamento político, candidatar-me à Junta de Santa Bárbara, isto não invalida da minha parte uma atitude participativa e construtiva, na definição e execução de projectos e politicas que beneficiem os barbarenses e Santa Bárbara, como é de resto normal num contexto de cidadania participativa. É preciso que todos saibam que mais do que criticar, preparei um documento de projectos e ideias para a freguesia em áreas que considero estratégicas e prioritárias que terei todo o gosto em discuti-las, não só com a Junta, mas com todas as forças vivas e habitantes de Santa Bárbara. Porque só dentro deste paradigma de efectiva actuação sei fazer política e ser um cidadão activo.
È altura de se acabar com o provincianismo e o caciquismo na maior freguesia da costa leste da Ilha Terceira. É o momento de, independentemente das filiações politicas ou interesses particulares, se construir uma freguesia alicerçada nos seus valores e enormes potencialidades.
13:17 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail


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