31 Julho 2008
Um mau exemplo
Falar sobre questões locais é sempre complicado, quer pela sua especificidade, quer pelo risco de quem nos lê não perceber o contexto em que se inserem.
Contudo, na freguesia onde eu nasci, cresci e vivo o estado das coisas tornou-se de tal forma absurdo que decidi apresentar este exemplo de má governação para que outros não caiam nos mesmos erros.
Na minha freguesia, o desenvolvimento encontra-se suspenso há mais de 20 anos. Onde outras freguesias vizinhas evoluíram, apostaram e desenvolveram a minha freguesia continua amorfa, parada e retrógrada.
Na freguesia onde eu nasci, faltam investimentos estruturais, falta diálogo efectivo entre as diversas forças vivas, falta participação democrática e existem graves carências de visão estratégica local.
Na freguesia onde eu cresci, alguns das obras mais emblemáticas (tomemos os simples exemplos da casa mortuária, do parque de estacionamento no centro e da zona de lazer à beira-mar) foram ideias de diferentes instituições e pessoas, tiveram como principais impulsionadores várias pessoas e instituições que não a Junta de Freguesia, e sobretudo tiveram o suor e dinheiro de muitos que não a Junta. Contudo a Junta de Freguesia sempre reclamou os louros e iniciativa destas mesmas obras estruturais, caindo no ridículo de colocar uma placa, num dos maiores ex libris da freguesia, a dizer “Propriedade da Junta de Freguesia” numa clara usurpação de uma ideia, de um projecto e de uma concretização que a eles não pertencia.
Na freguesia onde eu vivo, governa-se para os amigos, para as pessoas do partido que suporta a Junta, para os interesses pontuais. Não se governa para todos, não se governa mediante o interesse colectivo, sobretudo não se governa rumo ao desenvolvimento.
Na freguesia onde tenho raízes, assiste-se ao desenvolvimento das freguesias vizinhas enquanto a nossa fica no esquecimento, enquanto a nossa é das poucas sem uma viatura de apoio que sirva os idosos e crianças, enquanto a nossa cultiva a mesquinhez o compadrio e o permanente vazio de ideias. É como se existisse um “satus quo” de incompetência desejada.
Na minha freguesia, tomam-se decisões arbitrárias sobre trânsito que não tem em consideração as necessidades dos residentes, que tem como justificação argumentos absurdos e injustos e que prejudicam gravemente muitos para agradarem a alguns.
Chegou a altura de dizer basta, chegou a altura de exigir mais, chegou o momento de lutar pela mudança e pelas legítimas aspirações de uma comunidade.
A freguesia onde eu nasci, cresci e vivo chama-se Santa Bárbara e é um péssimo exemplo de governação local.
13:15 Escrito em De Olhos bem Abertos | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail


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