31 Julho 2008
Com o PSD tudo é possível!
Estes meses de Verão, onde abunda o calor e só apetece um bom mergulho, é invariavelmente marcado pela silly season. Esta é uma altura onde, não havendo nada de extraordinário a acontecer, as notícias e os temas da actualidade passam de irrelevantes para as primeiras páginas, tal é o vazio de acontecimentos.
Não podendo deixar de ser, há dois grandes temas, ambos sem interesse e recorrentes, que marcam a nossa silly season: a pré-época do meu Benfica que todos os anos tem a melhor equipa e vai ganhar tudo (acabando sempre por não ganhar nada…) e a pré-época do PSD-Açores para as eleições regionais.
O meu Benfica e o PSD sabem que “melhor é possível”, e fazem questão de o apregoar, mas insistem em fazer mais do mesmo, no vazio de ideias e projectos, na inconsistência dos dirigentes e na falta de rumo, que caracterizam ambos.
Mas sendo eu um ferrenho adepto benfiquista e um optimista por natureza, acho que tanto o Glorioso como o PSD é desta que vão passar a ser uma alternativa viável e um factor construtivo nas áreas em que se inserem.
Mea culpa! Mais uma vez estou redondamente enganado. Os comentadores de serviço do PSD-Terceira, identificáveis como os rapa-tachos da oposição anoréctica e bolimica que é o PSD, insistem em identificar todos os problemas e mais alguns (como se ainda não estivéssemos a pagar a factura das opções estratégicas do nosso paizinho autonómico Mota Amaral) e em apontar no final que “melhor é possível”. Mas é possível ou é mesmo a sério? Preciso de saber se o PSD é alternativa ou acha que é alternativa.
Aquilo que os comentadores de costume, uns praienses, outros angrenses, não nos dizem nos seus artigos de opinião, que deveriam ser pagos pois constituem clara propaganda política e eleitoral, são as soluções que pretendem. Podem sempre argumentar que a apresentação de Costa Neves do seu programa de governo é a apresentação de uma série de soluções. Mas alguém dúvida que aquilo não é mais que uma declaração de boas intenções, perfeitamente absurdas e sem cabimento?
Enquanto o PSD e os seus arautos insistirem em fazer política só em períodos de eleições, insistirem em apresentar ideias que apenas tem como objectivo ganhar os votos dos mais desatentos e continuarem a repetir os tiques de politiquice de 5ª categoria, melhor será possível, mas não é com eles de certeza.
PS – O nosso Estatuto foi chumbado por um TC e um PR que tem medo de perder o seu feudo no meio do Atlantico…
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O Diabo da Crise
Todos nós temos sentido a crise, uns mais outros menos, mas a verdade é que ela veio para ficar e afecta tanto os mais pobres, como toda a classe média.
Os preços dos bens de consumo aumentam (essa malfadada inflação que nos estrangula), os juros disparam (a tal desgraçada Euribor que nos esgana), os salários não aumentam (a já conhecida formula mágica do sacrifício colectivo) e por ai fora.
Mas de onde vem esta crise? As respostas são muitas e os analistas desdobram-se em apontar causas e protagonistas. Pessoalmente identifico dois grandes movimentos. O primeiro é óbvio: o rebentar da bolha especulativa no mercado imobiliário transferiu os especuladores para os mercados de futuros, onde se engloba o crude, os cereais, os metais preciosos, etc.
Esta movimentação especulativa, que por um lado rebentou o mercado imobiliário com enormes custos para as famílias que se viram endividadas com os pequenos palácios que compraram, e por outro, com a transferência dos especuladores, empolou-se as matérias-primas essenciais ao consumo humano. Quem paga essa factura? Todos nós classe média que empobrecemos para outros enriquecerem.
A segunda resposta a esta crise é mais complexa, e com certeza mais refutável: o mundo está economicamente sobreaquecido. Estamos numa era em que é pedido às empresas lucros consecutivos, vivemos num mundo onde os países são obrigados a crescer e a aumentar os seus indicadores económicos, estamos numa situação em que consumir desenfreadamente é sinónimo de prestígio social. Obviamente que isto tem um preço, onde se inclui a delapidação dos recursos e o sobreaquecimento económico. Parece-me licito afirmar que num contexto de recursos finitos, num contexto de espaço limitado e de produção desenfreada esta dinâmica irá, mais dia, menos dia, implodir. Só se pode crescer até certo ponto.
Hoje assistimos a uma correcção desta paranóia consumista e de crescimento, onde uma série de factores ambientais e sociais estão a entrar em acção para parar esta loucura colectiva.
Quem já leu o “Mundo de Ontem” de Stefan Zweig, apercebe-se que quando ele falava na fé inabalável no progresso da belle epoque, que descambou em duas guerras mundiais quando nada o fazia prever, começamos a encontrar hoje uma série de perigosas semelhanças.
Apesar de não querer ser arauto da desgraça, só existe uma solução para a procura de recursos e do seu controlo, porventura a mais antiga de todas as soluções: a guerra.
Não nos podemos deixar enganar pela “cooperação” politica e económica a nível mundial, o equilíbrio hoje é muito precário com focos de grande instabilidade geográfica que se podem rapidamente alastrar.
Cabe a cada um tentar responder à questão “Como sair da crise”, sabendo que em pouco podemos influenciar nessa resposta, mas que certamente a solução passará por uma comportamento mais responsável de todos nós face ao mundo em que vivemos.
PS – Achei genial que na semana em que o crude desceu mais de 20 USD nos mercados internacionais, os combustíveis vão aumentar nos Açores…
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Um mau exemplo (Parte 2)
O meu último artigo, sobre a Freguesia de Santa Bárbara e a actuação da Junta, causou grande debate e até alguma celeuma por aquelas partes.
Apesar de não querer tornar isto num “caso”, importa esclarecer alguns mal entendidos que surgiram em discussão na praça pública.
Em primeiro lugar, a questão de se colocar uma placa numa obra com a inscrição “Propriedade da Junta de Freguesia” demonstra bem a necessidade de ser reclamada obra cuja ideia e execução pouco pertenceu à Junta. Esta situação teria facilmente sido resolvida como fizeram, recentemente, numa obra no Porto Judeu em que se colocou “Património da Freguesia”. Assim as questões éticas e de usurpação não estariam em causa.
Em segundo lugar, é preciso que alguns em Santa Bárbara, felizmente não todos, percebem que a crítica construtiva e o debate público fazem parte do processo democrático e que deste debate, desta dinâmica, poderão nascer novas ideias e paradigmas. Contudo alguns ainda convivem mal com a crítica, certamente sinal de tempos idos e de privilégios perdidos.
Em terceiro lugar, apesar dos inúmeros apoios que me chegaram da parte de muitos barbarenses, aqueles que me criticaram nunca o fizeram directamente. Pior ainda, chegou-me aos ouvidos a possibilidade de represálias por parte de alguns que não interessa nomear. Apesar de não acreditar que, mais de trinta anos depois do 25 de Abril, alguém possa querer abafar o debate democrático com represálias, tal situação merece duas posições: primeiro, a ser verdade constituiria um sinal preocupante do modo como se faz politica em Santa Bárbara; segundo: a confirmar-se tal situação a reposta seria de tal forma incisiva, que constituiria um exemplo para quem assim pensa. Como dizia o Poeta-Deputado Manuel Alegre “a mim ninguém me cala”.
Por último, interessa frisar que o primeiro artigo e este, não constituem qualquer declaração de candidatura à Junta de Freguesia. Tendo sido uma das principais conclusões, que algumas mentes retiraram do artigo, importa esclarecer que só uma falta gritante de conhecimento de “timings” políticos pode retirar tais conclusões a mais de um ano de eleições autárquicas.
Não fazendo parte dos meus planos, por questões profissionais e de posicionamento político, candidatar-me à Junta de Santa Bárbara, isto não invalida da minha parte uma atitude participativa e construtiva, na definição e execução de projectos e politicas que beneficiem os barbarenses e Santa Bárbara, como é de resto normal num contexto de cidadania participativa. É preciso que todos saibam que mais do que criticar, preparei um documento de projectos e ideias para a freguesia em áreas que considero estratégicas e prioritárias que terei todo o gosto em discuti-las, não só com a Junta, mas com todas as forças vivas e habitantes de Santa Bárbara. Porque só dentro deste paradigma de efectiva actuação sei fazer política e ser um cidadão activo.
È altura de se acabar com o provincianismo e o caciquismo na maior freguesia da costa leste da Ilha Terceira. É o momento de, independentemente das filiações politicas ou interesses particulares, se construir uma freguesia alicerçada nos seus valores e enormes potencialidades.
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Um mau exemplo
Falar sobre questões locais é sempre complicado, quer pela sua especificidade, quer pelo risco de quem nos lê não perceber o contexto em que se inserem.
Contudo, na freguesia onde eu nasci, cresci e vivo o estado das coisas tornou-se de tal forma absurdo que decidi apresentar este exemplo de má governação para que outros não caiam nos mesmos erros.
Na minha freguesia, o desenvolvimento encontra-se suspenso há mais de 20 anos. Onde outras freguesias vizinhas evoluíram, apostaram e desenvolveram a minha freguesia continua amorfa, parada e retrógrada.
Na freguesia onde eu nasci, faltam investimentos estruturais, falta diálogo efectivo entre as diversas forças vivas, falta participação democrática e existem graves carências de visão estratégica local.
Na freguesia onde eu cresci, alguns das obras mais emblemáticas (tomemos os simples exemplos da casa mortuária, do parque de estacionamento no centro e da zona de lazer à beira-mar) foram ideias de diferentes instituições e pessoas, tiveram como principais impulsionadores várias pessoas e instituições que não a Junta de Freguesia, e sobretudo tiveram o suor e dinheiro de muitos que não a Junta. Contudo a Junta de Freguesia sempre reclamou os louros e iniciativa destas mesmas obras estruturais, caindo no ridículo de colocar uma placa, num dos maiores ex libris da freguesia, a dizer “Propriedade da Junta de Freguesia” numa clara usurpação de uma ideia, de um projecto e de uma concretização que a eles não pertencia.
Na freguesia onde eu vivo, governa-se para os amigos, para as pessoas do partido que suporta a Junta, para os interesses pontuais. Não se governa para todos, não se governa mediante o interesse colectivo, sobretudo não se governa rumo ao desenvolvimento.
Na freguesia onde tenho raízes, assiste-se ao desenvolvimento das freguesias vizinhas enquanto a nossa fica no esquecimento, enquanto a nossa é das poucas sem uma viatura de apoio que sirva os idosos e crianças, enquanto a nossa cultiva a mesquinhez o compadrio e o permanente vazio de ideias. É como se existisse um “satus quo” de incompetência desejada.
Na minha freguesia, tomam-se decisões arbitrárias sobre trânsito que não tem em consideração as necessidades dos residentes, que tem como justificação argumentos absurdos e injustos e que prejudicam gravemente muitos para agradarem a alguns.
Chegou a altura de dizer basta, chegou a altura de exigir mais, chegou o momento de lutar pela mudança e pelas legítimas aspirações de uma comunidade.
A freguesia onde eu nasci, cresci e vivo chama-se Santa Bárbara e é um péssimo exemplo de governação local.
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