20 Março 2007

A Europa dos Jovens

Recebi há uns dias um mail de uma colega de Estudos Europeus da Universidade dos Açores, chamada Ana, que me dizia o seguinte: «chega de "conversa de café", é preciso começar a agarrar o "futuro pelos cornos"» e mais à frente materializava esta vontade de fazer a diferença dizendo «Quero a Europa na rua. Quero que os jovens parem de citar e comecem a pensar. Quero que este medo de não termos emprego não nos faça baixar a cabeça. Quero um conteúdo actualizado de pensamento, de digestão de heranças.»
A Ana tal como eu e muitos jovens, nomeadamente os mais alertados para a questão europeia, sente que é preciso marcar a diferença. Contudo este mundo cada vez mais plural teima em abrir a porta ao pensamento arejado, ao espirito rebelde e à vontade desmedida dos jovens em construírem a Europa do Futuro.
Não posso dissertar, apenas nestas linhas, acerca do papel dos jovens na Europa, mas posso deixar algumas pistas e alguns conselhos.
Em primeiro lugar exorto todos os jovens a passarem pelo site da União Europeia dedicado aos jovens http://europa.eu/youth/index.cfm?l_id=pt onde encontrarão actividades, noticias e eventos comemorativos dos 50 anos da assinatura do Tratado de Roma. Este site prima também pela interactividade através da partilha de opiniões e de inúmeras informações de interesse para os jovens, a saber, emprego, estudo, viagens no espaço europeu, etc.
Em segundo lugar proponho um acompanhamento sistemático daquilo que se passa na UE através de livros, revistas, televisão, internet e tantas outras formas de informação largamente difundidas e facilmente consultáveis, pois só um conhecimento da realidade europeia e uma reflexão profunda dos desafios e problemas da Europa permite a qualquer um, e não só aos jovens, opinar e transformar com forte conhecimento de causa e de um modo coerente.
A Europa é hoje a nossa casa, e tendo inúmeros direitos inerentes à nossa cidadania europeia temos também um grande dever: lutar por uma Europa moderna, solidária e comum.
Defendo a tese que uma Europa federal não pode ser uma realidade da geração dos meus pais, pois essa geração não é fruto de uma União Europeia Económica, Política e Social consolidada, caberá à minha geração e ás próximas incorporar uma verdadeira identidade europeia e constituir-se como um efectivo povo europeu capaz de avançar para uma Europa Constitucional Federal.
Permite-me Ana que acabe o artigo a citar uma frase que aparece no portal da UE: «A assinatura do Tratado de Roma em 1957 deu origem à família europeia. Cinquenta anos depois, há muito que celebrar: a paz e estabilidade, a liberdade e democracia, a prosperidade, o emprego e crescimento.»

PS – Parece que vão fazer obras na nossa Via-Rápida. Serão mais uns remendos de alcatrão ou uma obra de fundo que dê aos terceirenses uma ligação Angra-Praia segura e com qualidade?


27 Fevereiro 2007

Jardim e os peixes

Esta semana proponho a reflexão sobre dois assuntos muito distintos mas, sem dúvida, importantes: a demissão de Alberto João Jardim da Presidência do Governo da Madeira e a necessidade de licença para a pesca lúdica.
Em primeiro lugar discordo da afirmação dos Professores Carlos Amaral e Carlos Cordeiro de que “A União entre a Madeira e os Açores está ferida”, porque devemos colocar esta questão: Que União? A Madeira e os Açores têm agendas políticas diferentes, têm modos de relacionamento com o poder central diferentes, portanto nunca houve realmente uma voz concertada politicamente entre as regiões. As parcerias que haviam e irão continuar a haver, certamente são no âmbito científico e comunitário, pois parece-me natural que os cientistas envolvidos em projectos conjuntos não serão afectados por estas divergências políticas.
Em relação a Alberto João Jardim, estamos perante mais um golpe de génio. Quando pensamos que a política portuguesa já não nos pode trazer mais nada de novo, Jardim espanta todos tomando decisões vitais “conforme a noite de sono”, demitindo-se e prometendo suceder-se a si próprio.
É um acto de força, sem dúvida. É, naturalmente, expectável que saia com uma maioria absoluta das eleições, mas isso não irá impressionar Sócrates, nem alterar nada na Lei das Finanças Regionais. A teimosia de Sócrates será útil nesta situação, porque voltar atrás com a Lei (boa ou má conforme as interpretações...) seria como negociar com terroristas: abriam-se precedentes difíceis de ultrapassar no futuro.
Em relação à ideia iluminada do Governo em obrigar os pescadores lúdicos a ter uma licença de pesca, só se pode pensar o pior. Tal como os especialistas têm defendido não há qualquer base científica para impor estes condicionalismos. Neste sentido, é absurdo pensar que a pesca lúdica tem um impacto significativo no ecossistema aquático das ilhas.
Quem beneficia desta lei absurda? Os armadores profissionais? As autoridades marítimas (pois terão uma fonte de rendimento extra com as multas que irão passar)? É muito pouco claro o que está por detrás desta lei.
Infelizmente, a oposição mostrou-se ineficaz na discussão deste decreto legislativo no Parlamento, pois o PSD absteve-se, o deputado independente também e apenas o Deputado do CDS teve a lucidez de não compactuar com tamanho disparate.
Espero que, para o bem da saúde mental de todos os que pescam por desporto para aliviar o stress, esta lei seja revogada.


PS – Se o PSD quiser uma auditoria à Câmara de Angra que pague! A afirmação é do nosso presidente e é acertada. Quem quer paga (ou então faz-se um peditório no concelho) . Parece que não é só o Roberto Monteiro a revolucionar a Terceira.

20 Fevereiro 2007

Colombo era Português?

Quando li, na revista do DI, tamanho destaque à tese de Manuel da Silva Rosa, que Colombo era Português lembrei-me logo se um sketch dos Gato Fedorento onde um povo matarruano (fictício) terminava todas as frases dizendo: “Tá bem, tá!”
Esta tese está na linha dos seguidores de Dan Brown que a partir de um tema conhecido trazem novos argumentos, que fazem com que o plano geral de um determinado assunto se altere. Mas tal como o Código Da Vinci, os outros que tem aparecido são construídos a partir de argumentos enganosos.
Esta trama começa logo por ser criada com a afirmação que tudo o que agora se apresenta é fruto de uma longa investigação, neste caso foi de dez anos. Eu também podia escrever que existe vida em Marte dizendo aos meus caros leitores que a minha descoberta era baseada em 10 anos de pesquisas, o que não tornava a minha investigação nem mais credível, nem mais verdadeira.
Basicamente, não há maneira nenhuma de provar que o homem era português: nem isso é importante, porque o que conta é que ele navegou por conta de Espanha: no século XV interessa quem se serve, não onde se nasceu: não existe o conceito de nacionalidade tão qual o entendemos hoje. No fundo, este é um falso problema...
Dia 26 deste mês vou aproveitar para estar na Sociedade de Geografia onde este livro será analisado pelo Professor Francisco Contente Domingues da FLUL, talvez depois disso ainda haja mais para dizer.
No seio da comunidade cientifica a tese que está descrita no livro foi feita para vender livros, e não muda nada, por falta de argumentos verdadeiros, o que é hoje doutrina nesta área.
Se alguém lhe disser que Colombo era um espião português faça como eu e diga cordialmente: “Tá bem, tá....”



PS – Li que as portas da nossa aerogare das lajes estiveram presas com cordas para não voarem. È decadente. Podíamos fazer uns postais turísticos a dizer “Onde o moderno se encontra com o tradicional” com a foto de portas automáticas em vidro com corda a segurá-las.



07 Fevereiro 2007

Escarretas

Apesar de ter prometido dar um novo folego a este blog não vai ser bem assim.
Surgiu um novo projecto e o Pensar a Europa vai ser apenas o meu arquivo online dos artigos de imprensa.
O outro blog onde escrevo é formado por pessoas muito diferentes e onde se fala sobre tudo. É diferente, é muito á frente!

Apareçam no ESCARRETAS

31 Janeiro 2007

Da(li)

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Para meditar na ponte quebrada e no sonho...

World Statistics updated in real time

Consultem esta página brutal sobre estatísticas em tempo real.
Não são completamente exactas, mas são feitas a partir de relatórios fidedignos das Nações Unidas.
Se tiverem curiosidade em saber como serão as coisas em 2050, ou noutra data no futuro, basta alterarem o vosso calendário do Windows.
Vejam os números assustadores que não param de aumentar num mundo em constante mudança.
Tudo isto em : WORLDOMETER

29 Janeiro 2007

Innovation 2007

Aqui fica a minha contribuição para a Melhor Ideia do Ano, promovida pela Clever Works, associação belga sem fins lucrativos. Tambem podem participar Aqui


Infelizmente descobri que isto é so para quem tem entre 15 e 20 anos, depois de um amigo meu ter visto a minha ideia.
A culpa disto é da época de exames ter começado hoje e o meu cérebro ter fritado.
Fica a ideia que infelizmente não mudará o mundo.



O teu nome :
Fábio António Lourenço
O teu apelido :
Vieira
Country :
Portugal

Descreve a tua ideia:

Actualmente as aulas são dividas normalmente em 5 cadeiras por semestre com a duração de 40 a 44 horas por semestre, cada cadeira. Proponho a divisão em: Uma cadeira por cada três semanas da seguinte forma: 1ª semana dedicada a aulas teóricas com um total de 42 horas distribuidas por um horário normal de trabalho semanal (8 horas diárias) 2ª semana dedicada a um mini estágio na área da cadeira, obrigando a um contacto prático com os conceitos adquiridos nas aulas teóricas com a duração de 4 horas diárias, havendo no último dia um teste escrito ou oral para avaliação. 3ª Semana para férias. Como sao necessarias apenas 30 semanas para as aulas normais, as restantes devem ser distribuidas pelas ferias de Verão, Natal e Páscoa.


Quais as razões que levam a pensar que a tua ideia é inovadora? :

A inovação desta ideia fudamenta-se em quatro grandes pontos: 1º Permite ao aluno concentrar-se numa determinada matéria e explorá-la de uma forma continua e intensa. 2º Permite haver sempre um contacto prático com a matéria aprendida. 3º Permite aos professores terem períodos de tempo livres para desenvolverem investigação para as universidades. 4º Faz uma simbiose entre o teórico, o prático e o descanso de uma forma equilibrada, evitando assim, longos perídos de férias, pouca prática dos alunos em acções concretas na aplicação de princípios teóricos e melhor integração no mercado de trabalho.


Consideras a tua ideia realizável ? Se sim, pensaste quando e como? :

A ideia é sem dúvida realizável. Os grandes entraves são décadas e mesmo séculos de instauração do actual modelo. Seriam necessários projectos-piloto para fazer alguns refinamentos e essencialmente para aferir a adaptabilidade dos alunos ao novo esquema. Com a vontade do poder político e o empenho das comunidades escolares podíamos revolucionar o modo de dar aulas a nível mundial.

28 Janeiro 2007

Cavar um Grande Buraco

Para aqueles que não tem mesmo nada melhor para fazer na vida tem este site:

http://map.pequenopolis.com/index.php?lang=pt

Ficam já avisados todos os terceirenses que se cavassem até ao outro lado do mundo iam dar ao largo da Austrália em pleno Oceano.
Nem o autor do site, nem eu, nos responsabilizamos por aqueles que forem suficientemente malucos para fazerem tal buraco.





26 Janeiro 2007

Pequenos Passos

Apesar de nunca ter falado do NESTEU neste espaço, ficam os leitores a saber que é o Núcleo de Estudos Europeus da Faculade de Letras da Universidade de Lisboa.
Apesar de ter sido criado á uns anos extingiu-se passados dois anos. O ano passado por ideia de alguns colegas foi reactivando, assumindo eu, desde então, os destinos do NESTEU.
Como o tempo não dá para tudo e quem lá está percebe pouco de associativismo o ano passado serviu apenas para estabilizar o nesteu com sede, sócios, etc.
Este ano começam a aparecer os primeiros frutos e a consciência que devido ás limitações de todos faz-se o que se pode.
Fica aqui, Falar_em_Público.jpg, o nosso primeiro cartaz de um workshop organizado por nós no próximo mês de Março
Só faltam ultimar alguns pormenores e em breve haverão notícias de várias conferências.
Até lá.

20 Janeiro 2007

Em Fevereiro há mais!

Para todos aqueles que vem aqui frequentemente e neste mês de Janeiro ainda não viram nada de novo postado, prometo coisas fresquinhas para Fevereiro.
Além do mais, irá haver uma inovação no próximo mês: vao começar a aparecer coisas independentes do que escrevo no DI.
Uma coisa anhada de certeza.
O Significado de anhado e muito mais a partir de Fevereiro

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Até Fevereiro---------------»

13 Dezembro 2006

Quotas Leiteiras – Implicações e Soluções

Ainda agora começou o debate do fim anunciado das Quotas de Leite e desde já a questão de fundo não está sendo abordada.
Por parte dos políticos e responsáveis do sector da produção de leite, o debate anda à volta da manutenção do regime de cotas até 2015 ou do seu desmantelamento progressivo já a partir de 2008.
Acerca desta matéria parece-me claro que a nível europeu os Eurodeputados que representam os Açores estão acompanhando esta situação, em especial o Eurodeputado Duarte Freitas que faz parte da Comissão de Agricultura do PE e por isso poderá de uma forma directa acompanhar todo este processo salvaguardando, na medida do possível, os nossos interesses.
Um coisa é certa: as quotas irão acabar ou em 2008 ou em 2015 e todos os pequenos produtores de leite a nível europeu estarão perante o maior desafio colocado à produção de leite europeia das ultimas décadas. Obviamente que esta situação afectará directamente os produtores açorianos devido à pequena dimensão das explorações agrícolas.
É neste sentido que me parece que o debate sobre a data do fim das Quotas vai muito em breve tornar-se estéril por falta de aplicação prática na projecção de soluções, e deverá ser substituído pelo debate das soluções a adoptar para fazer frente a um futuro extremamente competitivo.
Sabendo que a produção de leite nos açores assenta num paradigma de pequenas e médias explorações agrícolas importa desde já adoptar uma estratégia aplicável à nossa pequena dimensão, a saber, a aposta clara em produtos de excepção vocacionados para nichos de mercado.
A divulgação no estrangeiro da qualidade do nosso das nossas pastagens, do leite e dos derivados produzidos é essencial. Esta divulgação deverá ser feita não só no mercado europeu, mas também, no mercado norte-americano e asiático, já que se uma região do globo entrar em dificuldades económicos e não for capaz de escoar os nossos produtos, teremos um mercado suficientemente diversificado para garantir a sustentabilidade das exportações.
É fundamental uma aposta nos centros de investigação para o aumento do apuramento genético dos animais produtores para estarmos na vanguarda da qualidade do leite produzido, isto aliado a fortes medidas de controlo fito-sanitário de modo a garantir a aceitação dos nossos produtos em mercados extremamente exigentes nestas matérias.
Por último, é preciso que as cooperativas agrícolas açorianas tenham um papel preponderante nesta estratégia sendo elas os motores de dinamização, formação e incentivação dos seus associados.
Cabe, por fim, ás associações agrícolas e aos responsáveis políticas refinarem estas e outras propostas, para num curto espaço de tempo trabalharem pelo futuro, em vez de esperar pelo futuro.

PS – Foi com enorme gosto que soube da vontade da CCAH em criar um MBA.

06 Dezembro 2006

Programa legislativo e de trabalho da Comissão Europeia para 2007

A Comissão Europeia aprovou em finais de Outubro de 2006 o seu programa legislativo e de trabalho para o ano de 2007
Consulte em .pdf o documento oficial.

Aqui:
clwp2007_pt.pdf

01 Dezembro 2006

Levanta-te Açores

Alguém, algum dia, pensou porque é tão bom viver nos Açores? Boas paisagens, pessoas simpáticas, ar puro, estabilidade social e política, tudo isto em nove ilhas. Acima de tudo o que nos faz viver assim é que estando nós no meio do Atlântico preocupados em viver um dia de cada vez, a Globalização pulsava e mudava as regras em várias partes do Globo. Na década de noventa enquanto aproveitávamos os fundos comunitários para construir estradas, renovar lavouras e criarmos condições de conforto aceitáveis grandes empresas multinacionais mudavam o alinhamento do poder económico mundial.
Fomos protegidos face a tanta competição por todo um Oceano e sobretudo porque a Globalização não nos queria. Não representamos mais valias em quase nada, não estamos no topo de nenhuma investigação, não temos um tecido empresarial forte etc.
Este modelo serviu-nos. Serviu porque as desigualdades sociais sempre foram pequenas nos Açores. Ninguém é rico mas, na verdade, pobres no sentido de miséria também são muitos poucos.
Durante anos a única coisa que mexia com os pacatos açorianos era o vento de inverno e as rajadas que teimavam em abanar com memórias de verões solarengos.
Contudo, nestes últimos anos, pontuais mas significativas transformações tem-nos confrontado. Quem sem lembra de há dez anos haver sem-abrigos em Angra? Hoje os dedos das mãos já não os contam. Quem se lembra de há 20 anos haver um único licenciado desempregado nos açores? Hoje são dezenas. Quem se lembra há dez anos o vizinho dever casa, carro, viagens, electrodomésticos? Hoje o endividamento excessivo é a dor de cabeça de muitos.
Tudo isto são sinais que deverão ser interpretados como uma mudança radical para a qual devemos desde já prepararmo-nos. Estamos a entrar num mundo extremamente competitivo. Parece que a natureza quis nesta época fazer uma selecção dos mais fortes, onde apenas os mais aguerridos poderão vencer e os desatentos terão como destino o desamparo. Não haverá governo regional, nem fundos comunitários, nem oceanos que nos salvem, os outros já se adaptaram ao mundo globalizado e nós só agora estamos a provar o veneno amargo de um mundo sem regras nem fronteiras.
Como encarar estas futuras provações? Em primeiro lugar quem decide tem de estar ciente que os açores são nove ilhas, logo, nove realidades. O investimento no turismo em S.Miguel não pode ser igual ao da Terceira nem ao das Flores. Todas as ilhas tem qualidades diferentes que devem ser exploradas de modos diferentes. Isto exige planos distintos, distintos meios de apoio e consequentemente resultados distintos.
A lavoura açoriana tem sempre sido bandeira de campanha para qualquer governo que se preze. Mas queremos nos uma lavoura que tenha um peso quatro ou cinco vezes superior ao que deveria ter? As matérias-primas que a lavoura açoriana produz tem um valor acrescentado muito baixo e estão sujeitas a decréscimos de preço nos próximos anos que lhes será fatal. Ainda por cima, nos próximos anos serão abolidas as quotas leiteiras e a bolha que nos protege da competitividade mundial será rebentada. A aposta clara devera ser na transformação. Empresas açorianas, que possuam uma Marca Açores reconhecida internacionalmente, capazes de transformar, embalar e enviar lacticínios e outros produtos de qualidade excelente para qualquer parte do mundo numa questão de dias, apoiadas com plataformas logísticas adequadas.
Necessitamos urgentemente de pessoas altamente especializadas nas áreas de governo capazes de afirmar a nossa voz nas diversas vertentes a nível nacional e europeu. Devemos investir em representações periódicas ou mesmo permanentes nos diversos organismos comunitários. É um investimento grande sem duvida, mas o retorno seria enorme.
Devemos apostar numa política de três V’s: Visão, Vontade, Validade. É fundamental desde já preparar o futuro com visão com ideias arrojadas e ao mesmo tempo realistas. É necessário Vontade de todas as cúpulas do poder açoriano bem como das elites e do empenho de toda a sociedade no geral. E por último Validade, pois de nada nos serve teorizar se não podemos aplicar efectivamente e validamente as nossas ideias.
Olhos bem abertos Açores pois o teu momento chegou!

PS – Este ano andam todos a esquecer-se do natal. Um sinal dos tempos?

25 Novembro 2006

As Falácias d’Aristides

No passado dia 15 de Novembro de 2006 foi escrito neste jornal um artigo de opinião sob o título “O Aborto não é solução, mas...”, da autoria de Aristides Silva, que faz de uma maneira ofensiva, falaciosa e perniciosa a defesa do “Sim” ao aborto.


Neste momento em que está prestes a ser indicada a data para referendo por parte do Presidente da Republica, o debate começa a aquecer e, infelizmente, está a tomar o caminho dos insultos e acusações absurdas entre os partidários da duas facções.
O artigo do Sr. Aristides teria sido apenas mais uma opinião, se não tivesse de forma gravíssima insultado a Igreja Católica, e diria eu todas as confissões religiosas à face da Terra, bem como os partidários e simpatizantes do “Não” ao aborto.

Entre as diversas falácias encontradas no texto (falácias são erros de lógica cometidos sem intenção, se bem que neste caso parece-me bem intencionais) temos sobretudo a falácia “ad hominem” que consiste simplesmente em atacar uma pessoa, neste caso também uma instituição, em vez dos argumentos que ela expõe, usar um traço do seu carácter como pretexto para desqualificar ou ignorar o que ela diz, sendo um meio muito cómodo (e desonesto) de fugir do debate.

Num texto em que se debate uma questão crucial, no momento actual que a sociedade portuguesa atravessa, são ditas coisas como: “... a Igreja, em termos históricos, tem defendido, e abençoado por vezes, alguns dos maiores horrores da civilização ocidental.” Perante tal julgamento apenas duas coisas a dizer: primeiro, só que não entende nada de História não percebe que tudo tem um contexto, e segundo para a próxima terá de explicitar bem esses supostos momentos para serem devidamente esclarecidos.

E a questão do aborto continua a ser relegada para segundo plano no texto onde surge mais uma vez a introdução de um ataque claro à Igreja com vista a desacreditar esta instituição e os defensores da vida, seja ela um feto ou um embrião: “Por um lado [a Igreja], defendem aguerridamente o Não ao aborto, pelo outro, encobrem padres pedófilos.” Pergunto-me se alguém, algum dia, discutindo este tema consigo terá insultado o seu carácter ou a sua família de modo a descredibilizá-lo... Se alguém o fez não procedia correctamente consigo, da mesma forma que não procede bem com os protagonistas do seu texto.

A panóplia de expressões ofensivas continua com adjectivos para classificar católicos tais como “fundamentalistas”, “talibãs” etc, etc...

Custa-me ler um texto assim tão cheio de ódio porque leva-me a pensar que este debate tão sério e profundo possa tornar-se numa guerrilha fracturante na nossa sociedade. Temo que tomadas de posição tão virulentas possam contribuir para o não aproveitamento da oportunidade que temos para debater a vida, a mulher e o futuro.
Espero que pelo menos neste jornal este debate seja feito com verdadeiros argumentos e com elevação de quem escreve e comenta.

PS – Espanta-me que ainda ninguém da Igreja açoriana se tenha dado ao trabalho de refutar categoricamente algumas das afirmações que se encontram naquele texto.



22 Novembro 2006

O Mito da Autonomia

Nestes últimos tempos muito se tem falado e escrito sobre a Autonomia açoriana. Os Açores possuem hoje dois ou três açorianos especialistas nesta matéria que ao longo do tempo tem teorizado a Autonomia açoriana de uma forma muito séria e que brilhantemente tem defendido o nosso estatuto.
Contudo a Autonomia tal como se fala dela não existe. Como estas breves linhas não permitem explanar toda esta problemática deixo ao leitor apenas alguns tópicos sobre esta visão.
Em primeiro lugar, as ideias surgidas nos últimos dias sobre a Região Autónoma dos Açores (RAA) tomar uma configuração do tipo federal, como por exemplo os “Landers” alemães, ou do tipo autonómico espanhol parecem-me descabidas. Os Açores não possuem a pujança económica, nem a importância política nem o peso social que qualquer um dos “Landers” alemães ou das regiões espanholas possuem. É para mim condição essencial no estado do tipo federal haver um peso económico, político e social que os Açores dificilmente alcançarão.
Em segundo lugar, a autonomia açoriana é um “faz de conta”, não só do ponto de vista do Direito como defende o especialista em Direito Regional, Arnaldo Ourique, (Cf. edição n. 18538 do DI) de uma forma muito clara, e a meu ver correcta, mas também nas últimas linhas de acção que a Lei de Finanças Regionais aponta.
Apesar da nossa autonomia não estar verdadeiramente consolidada num plano efectivo e fundamentado ela existe todos os dias. Temos um Governo e um Parlamento Regionais que são a expressão máxima da nossa “pseudo-autonomia”. Verdade seja dita, estas duas instituições desempenharam um papel fundamental na construção dos Açores que hoje conhecemos, pois apenas governantes conhecedores da realiadade regional podem ter em conta linhas de actuação adaptadas ás nossas necessidades. Este trabalho não tem sido perfeito, é certo, mas a margem de manobra também não é assim tão grande.
Nós temos uma realidade tipo “balde”, isto é, muitas são as torneiras (fundos comunitários e transferencias nacionais) que entram na nossa região e que suportam a nossa economia. Ora como nenhum balde “ se enche sozinho também nós não somos capazes de ter uma economia baseada na iniciativa privada e na criação de riqueza própria sem ajudas do exterior. Este problema não só afecta a nossa economia como a nossa Autonomia, pois como já se disse uma autonomia política necessita da alavanca de uma autonomia económica. E nesta época de contenções e com a anunciada descida de verbas da UE a partir de 2013 o quadro tem tendências a piorar.
Então como encarar a nossa Autonomia? No futuro temos de encarar a Autonomia açoriana com serenidade, pois teremos de reflectir nos modos de aprofundamento autonómico efectivo pelos quais poderemos pugnar, e com muito trabalho e dedicação para tornar os Açores mais fortes na “Europa das Regiões” através da afirmação da nossa voz enquanto região capaz de produzir valores acrescentados e não mantendo a posição de parente pobre dependente de fundos para viver nesta mentira de prosperidade.
Exige-se um debate desprendido e realista sobre a nossa Autonomia por parte dos especialistas nas várias áreas, dos responsáveis políticos, dos académicos e da sociedade em geral.



PS –Mais uma greve da Função Pública . Mais uma vez de um lado e do outro os números são absurdamente diferentes. Uma coisa é certa o país quase pára nestas greves, o que demonstra bem o tamanho da nossa Administração Pública .