24 Outubro 2006

O Exército Portugues do Futuro

É facto assente que Portugal é um país pequeno e por isso mesmo tudo é feito à medida do nosso país: em ponto pequeno.
Portugal tal como qualquer outra nação tem nas Forças Armadas o último reduto da defesa do país. Devido aos nossos compromissos internacionais, nomeadamente com a NATO e Nações Unidas, somos de quando em vez chamados a missões de cariz internacional que apesar dos apoios que recebemos comportam grandes despesas para o erário publico.
Este é um pequeno preço que temos de pagar pela estabilidade e segurança a nível global, ajudando nações em rescaldo de conflitos ou jovens nações que lutam pelo seu lugar no panorama internacional.
Um dos casos mais badalados dos últimos anos em relação ás nossas forças armadas foi o da aquisição de submarinos. Apesar do enorme custo financeiro, o facto de Portugal possuir submarinos implica a entrada num clube muito restrito de países que controlam as profundezas do Oceano. O submarino é um meio de defesa extremamente eficaz, passa desapercebido a sistemas de localização e é, sem dúvida, o orgulho de qualquer Marinha de Guerra.
Os três ramos das Forças Armadas Portuguesa seguem o paradigma normal a nível de equipamentos e áreas de actuação. Contudo pelas nossas limitações orçamentais actuamos com equipamento obsoleto muito vezes adquirido a outros países, mediante protocolos internacionais, que deixaram de estar em uso.
Ora esta situação tem dois custos enormes para o nosso exército. A saber, as despesas de manutenção permanentes que material desgastado e velho comporta e o atraso tecnológico, que numa situação de Guerra directa colocaria-nos em desvantagem clara perante um inimigo bélicamente mais evoluído.
Feita esta brevíssima resenha sobre as nossas Forças Armadas importa, pois, debater o seu futuro e a melhor maneira de responder a desafios e responsabilidades nacionais e internacionais.
Com o nosso tamanho reduzido e incapacidade orçamental para um Exército, Marinha e Força Aérea convencionais, convinha-nos possuir Forças Armadas altamente especializadas, trabalhando com tecnologia de ponta e com treinos únicos no mundo.
Desta forma seriamos respeitados na Comunidade Internacional e requisitados para missões de máxima importância.
Obviamente que optar por este caminho implica tanto que se torna quase impossível. Exige uma mudança radical na mentalidade das Forças Armadas Portuguesas, restruturação das chefias e um poder político de visão.
Não tenho dúvidas que muitos portugueses e portuguesas que servem o nosso país tem as características necessárias para tal mudança. Falta moldar estas capacidades e inovar em todos os sentidos, colocando as Forças Armadas num lugar cimeiro a nível mundial.

PS –O cronista parte sempre do princípio que o leitor é inteligente. Acho que alguns tem escrito com um partidarismo tão explícito que até ofendem quem os lê.

24 Setembro 2006

Terceiro(a) Mundo

Apesar destes últimos anos da minha vida terem sido passados mais em Lisboa do que na bonita Terceira sempre foi minha intenção poder voltar um dia e criar raízes na terra que me viu nascer.
Aqui vive-se com qualidade e não há melhor sítio para se formar família e trabalhar do que na nossa ilha.
Contudo ás vezes deparo-me com situações nesta terra que não lembra a ninguém. Já me perguntei se seremos uma região plenamente integrada na Europa ou um burgo do Terceiro Mundo plantado no meio do Atlântico. Dou-vos três exemplos que demonstram esta aversão pela excelência e a busca incessante pelo satisfatório.
O Caso TAP (entenda-se o mau serviço que nos é prestado por esta companhia na Viagens Terceira-Lisboa-Terceira) aliado à aberração que tem sido a construção do novo Aeroporto da Terceira são uma tormenta para qualquer um que precise de sair da ilha para se deslocar a Lisboa. Mal se chega ao Aeroporto não ha lugar para estacionar, quando se vai para o check-in entra-se numa fila que da voltas e voltas, esperando-se uma eternidade pelo atendimento (situação que já acontecia com o anterior esquema). E como se o cliente já não estivesse suficientemente agastado com toda esta situação tem ainda os típicos atrasos da TAP nunca inferiores a meia hora e passando frequentemente a barreira psicológica de uma hora. Chegados à terceira espera-nos uma sala escandalosa (que ofende qualquer turista que chega cá) e uma passadeira rolante pequena onde são descarregadas malas “à pressão” que em dias de chuva chegam molhadas. É triste viver-se num Monopólio institucional Sata/TAP.
Os CTT em Angra são um desespero para qualquer pessoa que queira ir colocar uma carta ou pagar alguma conta. Outro dia tive de esperar 45 minutos para enviar uma carta registada, onde estava uma senhora ao meu lado já idosa para pagar uma conta da electricidade em claro desconforto por esperar há já tanto tempo. É inadmissível que os CTT de Angra tenham seis balcões e apenas dois estivessem em funcionamento ás 3 da tarde! Para a situação tornar-se mais absurda chega depois um terceiro funcionário que foi tratar das senhas “C” noutro balcão (as senhas destinadas a correspondência superior a 100 unidades) onde vi vários funcionários do Governo Regional a serem atendidos em 5 minutos todos eles claramente com correspondência, que desconfio muito se chegaria ás 50 unidades. Obviamente que revoltado com aquilo tudo quando fui atendido (por uma funcionaria simpática e profissional) pedi o livro de reclamações, que ela foi-me buscar, e qual não é o meu espanto que quando chega diz-me que estava no gabinete da sua chefe e que por ela não estar no serviço estava lá trancado. Claramente o problema aqui está em que gere aquela divisão e não nos funcionários. Para a próxima chamarei a policia, pois quando é recusado entregar o Livro de Reclamações pode chamar-se um agente da autoridade para que este seja imediatamente apresentado.
Por último o treino dos F-22 na Praia é um objectivo que o Presidente da edilidade já manifestou interesse por via a beneficiar o concelho. Apesar das declarações do Dr.Roberto Monteiro mostrarem que ele sabe que quaisquer apoios decorrentes destes treinos à autarquia terão de passar sempre pelo poder central de Lisboa, parece que ele não esta bem informado do porquê dos americanos estarem a procurar bases fora do pais para estes treinos. Os F-22 são tão poluentes a nível sonoro e através das emissões de CO2 que os americanos, que nem se costumam interessar por questões ambientais desta ordem, não os querem lá. Imaginem só o impacto que terá sobre as populações da praia. Será um preço muito alto a pagar por uma migalhas que nos tocam de vez em quando pela ocupação da Base das Lajes

PS – Ao que parece o meu último artigo, sobre o momento prospero e decisivo que a Praia da Vitoria enfrenta, causou confusão nalguns iluminados. As mentes pequenas e atrofiadas que não vêem o que se mete pelo olhos dentro todos os dias, a mim não me afectam.

30 Agosto 2006

O Pai, o Filho e o Burro

Folheava outro dia os meus cadernos do Secundário e encontrei uma didáctica fábula de Ésopo que há muito não me lembrava dela e que tive oportunidade de traduzir do latim no meu 11º ano.
Ao ler a Fábula do “Pai, o Filho e o Burro” lembrei-me do episódio recente do “Banquete Institucional” que foi promovido na Praia da Vitória entre a Câmara, membros do Governo, nomeadamente o Presidente Carlos César, e as forças vivas do Concelho.
Como é conhecido de todos, muitas vozes se levantaram contra esta demonstração de partidarismo e outros tantos saíram em defesa dizendo que fora apenas uma oportunidade para sedimentar laços e fomentar uma maior cooperação entre instituições.
E para perceberem ao que me refiro deixo-vos primeiro a leitura integral da Fábula:
“Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– Ó homem, o que tem na cabeça para levar um burro estrada fora sem nada no lombo enquanto tu te cansas? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho
– Ó rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o teu pai, um velho, andar a pé enquanto vais montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo. Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhem só que egoísta! Vai o homem no burro e o filhinho a pé, coitado...
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo maneira como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em vez de obrigar a carregar com duas pessoas.
Na mesmo momento, o homem amarrou as pernas do burro num pau e lá foram pai e filho, aos tropeções, carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, toda a gente desatou a rir, a rir tanto que o homem, enfurecido largou o burro, pegou no filho pela mão e voltou para casa.”
A Moral da historia é simples: “Quem quer agradar a todos não agrada a ninguém”.
A verdade é que a Praia da Vitoria não conhecia uma projecção e uma vitalidade como a que tem actualmente há muito tempo, e qualquer um com dois palmos de vista tem de admitir que é ao novo Presidente Roberto Monteiro que isto de deve.
Tirando o episódio com o COFIT, a nova dinâmica administrativa da Câmara Municipal da Praia tem-se pautado pela competência e objectividade, coisa nem sempre vista por estes lados.
Desta forma, é preciso parar e pensar antes de se criticar por criticar, porque, apesar desta nova sinergia entre Governo e Câmara nascer de uma afinidade partidária certamente extravasa em muito esta componente.

PS – Não se pense que este artigo é um sinal de subserviência a alguém, é apenas uma tomada de posição coerente com os factos porque é conveniente criticar quando necessário e, é da mesma forma, importante elogiar quando oportuno.

10 Agosto 2006

Scuts em S.Miguel

Não é novidade para ninguém que de todas as ilhas dos Açores, S.Miguel é a que tem maiores índices de desenvolvimento, mais infra-estruturas, enfim mais de tudo um pouco.
E, assim mesmo, é natural que seja, pois a ilha do Arcanjo conta com cerca de metade da população açoriana e como um amigo dizia-me outro dia com “metade dos contribuintes açorianos”.
Desta forma não é de espantar que lá proliferam muitas mais vias de comunicação do que nas outras ilhas, nomeadamente estradas para o grande parque automóvel que aquela ilha já possui.
Ora o que é estranho é que em S.Miguel se construa uma pseudo-autoestrada “sem custos para o utilizador”. De facto a Scut de S.Miguel terá custos para o utilizador e não é para os utilizadores desta ilha. Na verdade, tanto os micaelenses que irão utilizar esta estrada estarão a pagá-la, bem como um habitante das Flores ou de S.Jorge, já que ela será paga a partir do Orçamento regional.
Neste caso o princípio do “utilizador-pagador” não é posto em prática. E até se percebe porque não seria sensato colocar portagens em qualquer via açoriana pois ela tornaria-se inviável. O que não se percebe é que enquanto um micaelense pode fazer o seu trajecto casa/trabalho ou passear ao fim-de-semana com a sua família ladeado por separadores centrais, bom asfalto e boa sinalização, um florentino, um terceirense ou outro habitante de qualquer ilha tem de andar aos saltos por estradas esburacadas e sem condições.
Veja-se o nosso exemplo terceirense, onde é prometido há anos uma nova pavimentação para a Via-Rápida Angra/Praia e iluminação, pois actualmente a única solução é de andar com os máximos ligados e ficar encadeado pelas luzes dos outros.
Não se trata de um trauma com os nossos irmãos micaelenses de eles terem sempre mais e os outros sempre na mesma, trata-se de encarar o desenvolvimento açoriano como uma necessidade e realidade que engloba nove ilhas e não apenas uma.
Verdade seja dita, e toda a gente o sabe, metade dos votos estão em S.Miguel mas todos nós temos direito ás nossas Scuts e ás nossas regalias enquanto açorianos.
Se algum micaelense estiver a dar saltos na cadeira de ler isto, ou algum governante estiver a contorcer-se a pensar numa maneira de desmentir isso lembre-se que a principal via que une Angra à Praia tem um pavimento recentemente colocado que até mete pena e constitui um perigo para os condutores. Ate quando esperaremos por um separador central? Ate quando esperaremos por iluminação? Ate quando os Açores serão uma linda família de filhos e enteados?

PS –Li na “União” um artigo do Eurodeputado Paulo Casaca a falar de uns diferendos com o Eurodeputado Duarte Freitas. Qualquer um destes dois homens constitui para mim um motivo de admiração pela posição que ocupam e um motivo de orgulho para todos os açorianos. Gostava muito de os ver a deixar de lado as politiquices açorianas e levar mais longe o nome dos açores, os dois, em conjunto.

04 Agosto 2006

Médio Oriente em Guerra

A situação explosiva que já se sentia há várias semanas no Médio Oriente, culminou numa Guerra que opõe o estado de Israel contra a organização libanesa xiita, o Hezbollah.
É sobejamente conhecido pelo mundo as constantes tensões naquela zona do globo, já com conflitos permanentes antes do 11 de Setembro, mas de uma forma muita mais sangrenta desde os ataques terroristas perpetrados em Nova Iorque.
O 11 de Setembro foi a justificação, há muito necessária, que levou o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, a entrarem por aquele pedaço de terra poeirento, que é o Médio Oriente, e instalarem lá os seus interesses sob a bandeira da luta contra o terrorismo.
Contudo a estratégia saiu gorada, e a cada dia que passa a invasão do Iraque revela-se um erro tremendo, o Irão brinca com a comunidade internacional por causa do seu programa nuclear, Israel tenta dizimar tudo o que esta à sua volta e os grupos fundamentalistas islâmicos atacam indiscriminadamente alvos civis, entre os quais crianças indefesas.
É necessário olharmos para o que se passou nos últimos anos e analisarmos objectivamente se valeu a pena esta incursão bélica e esta atitude Ocidental perante esta região do globo. A resposta é claramente: Não! Com o 11 de Setembro abriu-se a “Caixa de Pandora”. O terrorismo à escala global é uma ameaça que paira sobre o mundo Ocidental, mas muito surpreendentemente sobre o mundo islâmico. Vemos todos os dias grandes ataques sobretudo no Iraque. Ao que parece a luta contra o terrorismo e as fortes medidas de segurança impostas no Ocidente tem surtido efeito, mas ninguém duvide que os terroristas não hesitarão em atacar-nos quando tiverem possibilidade. Nada terá mais impacto na opinião pública ocidental do que um ataque perpetrado no nosso solo.
Nesta questão muito mais importante do que analisar de quem é a culpa e quem começou, é importante uma posição firma e conjunta das Nações Unidas e de todos os membros do conselho permanente que exija o imediato cessar fogo desta guerra sem sentido (todas as guerras são sem sentido), para que parem de morrer pessoas inocentes e que a paz volte aquela região do globo que tem sido massacrada por conflitos armados.
Uma força internacional baseada numa resolução das Nações Unidas é a melhor resposta a este desafio, e posteriormente um dialogo franco e aberto entre todas as partes é fundamental para evitar o reaparecimento destas escaramuças.




PS –Espero falar da nossa terra no próximo artigo, em resposta ao apelo do JML.

31 Julho 2006

Mulheres

Seguindo a proposta de um amigo que me perguntava para quando crónicas sobre mulheres e futebol, hoje vou falar de mulheres depois de já ter falado de futebol.
É sem duvida um tema complicado e terreno perigoso, falar de uma das maiores forças da natureza: a Mulher.
Mães, irmãs, namoradas, esposas, amigas muito são os papeis que as mulheres desempenham nas nossas vidas e mesmo assim podem dar sempre e ser sempre muito mais.
Parece impossível que há uns anos atrás não podiam votar nem pronunciar-se publicamente, que eram tratadas como “coisas” e que eram o substracto inferior de uma sociedade intolerante e machista.
Enganem-se as ovelhinhas de Dan Brown que tudo isto partiu de uma conspiração católica com 2000 anos. Tudo isto foi devido a uma sociedade que demorou muitos séculos a dar o devido valor ás mulheres e que, mesmo hoje, continua sem dar muitas vezes o mérito merecido ao sexo feminino.
De uma forma simplista e linear, diz-se muitas vezes que a mulher é um ser demasiado complicado para se perceber, pois tudo o que fez parece despropositado e exagerado aos olhos destreinados de qualquer homem.
Pois o maior defeito que é apontado ás mulheres – serem complicadas – é também a sua maior virtude.
Um caso que ilustra bem esta situação são as mulheres que ocupam posições de chefia e gestão. A mulher olha para todos os aspectos da realidade, toma todas as variáveis em consideração e sente muito o que se passa à sua volta. Por isso mesmo tomar uma decisão torna-se uma luta interior pois todas as decisões tocam-lhe, e o facto de ter de optar pelo “mal menor” não é opção para uma mulher. A concepção de uma mulher é de harmonia e perfeição por isso as escolhas tornam-se tão difíceis: ter de optar por uma coisa ou por outra.
O homem claramente mais curto de vistas não tem medo de arriscar e tomar decisões mesmo sem sabendo muito bem quais os efeitos dessas decisões.
Lidar com as mulheres não tem segredo nenhum. Trata-se de ouvi-las e partilhar com elas os sonhos, as ambições e as perspectivas. Desta forma acabamos com a concepção que elas são complicadas e descobrimos os seres incríveis que as mulheres são.


PS – Poucas são as mulheres que nestas páginas escrevem. Esperemos que muitas mais partilhem com todos nós a sua sabedoria.

21 Julho 2006

Futebol e Loucura

O estado de espirito que se viveu por este país devido ao Campeonato do Mundo de Futebol pode ser médicamente classificado de histeria.
Os telejornais, os jornais, as rádios e os demais meios de informação estiveram sobrecarregados com mais de metade da sua informação sobre o Campeonato. A impressão geral é de que as catástrofes que normalmente fazem as primeiras páginas foram, magicamente, suspensas durante este período de um mês. Enganam-se! Por todo o mundo as desgraças acontecem a cada minuto, apenas quase ninguém nos falava delas.
Tomemos o caso de Timor: se a crise política tivesse acontecido à um mês atrás estaria nas primeiras páginas em todos os meios de informação, porque o país está à beira de uma Guerra Civil, e mesmo com esta demissão do Primeiro Ministro dá para notar que a Fretilin – o partido no poder – não deixará as coisas ficarem por aqui.
Não muito longe, a Gripe das Aves continua a matar e ninguém sabe muito bem como a controlar, ou mesmo se é preciso controlá-la, pois as projecções de epidemia nunca se concretizaram, pelo menos ainda...
No médio Oriente todos os dias se junta mais ódio e vingança a um problema que qualquer dia vai fazer como um foguete: vai-nos rebentar a todos nas mãos e ninguém saberá o que fazer.
Mas não precisamos ir tão longe. Temos o nosso pequenino Portugal que é acusado de ser pessimista, pouco produtivo e incapaz de fazer face ás crises que teimam em ficar. Mas aquilo que se viu depois do jogo Portugal-Holanda nada tinha a ver com esses estereótipos. O país reviu-se na garra e determinação heróicas dos jogadores, jogadores esses que são intelectualmente limitados e cuja inteligência reside nos músculos das pernas. Não foi nos cientistas, nem nos académicos, nem nos filósofos que o nosso país voltou a sonhar em ser mais, foi em jogadores de futebol. Imaginem só como devem andar todos os outros grandes atletas portugueses que ganham títulos, medalhas, treinam em condições absurdas e tem salários miseráveis enquanto todo Portugal bajula os seus jogadores milionários de Futebol (que agora nem querem pagar impostos...).
Por estar a dizer isso significa que eu não goste de futebol ou que tenha uma veia sociopata que me impele a dizer mal do futebol? Nem pensar nisso. Vibrei com o jogo do princípio ao fim, mas no fim desliguei a televisão em vez de ter morrido como um sexagenário de ataque cardíaco, ou de ter caído como um jovem do cimo da estatua do Marquês em Lisboa, ficando o mesmo inconsciente.
O segredo é dar a importância que cada coisa tem na nossa vida e não nos esquecermos que daqui a um mês ou dois o caminho de Portugal neste mundial não será mais do que uma memória, e que o mundo não pára.
A todos olhos bem abertos para o que se vai passando. Não se deixem cegar pelo Futebol.

PS – Li um artigo da Joana Mendes, que não sei quem é, que no passado dia 28 de Junho falava da frustração de ter um professor(a?) incompetente. Pelo que percebi a Joana está a caminho da Faculdade. Cara Joana o que vais viver na faculdade é bem pior... em relação a esse professor aplica-lhe a lei de Talião: Olho por olho dente por dente! Processa-o se a actuação dele te prejudicar no acesso ao ensino superior, e para a próxima partilha com a sociedade o nome dele.

28 Junho 2006

O Início

Já a algum tempo que escrevo para este jornal. Já algum tempo que este jornal acolhe a minha escrita e publica sem atrasos, sem censuras e sem perguntas. Já a algum tempo que algumas pessoas acompanham aquilo que escrevo e por simpatia, acho eu na maioria dos casos, dizem que aprendem coisas novas sobre a Europa. A alegria de partilhar o pouco que sei e levar um bocadinho da Europa a todos quantos liam “Pensar a Europa” foi o motor da minha vontade de escrever durante um ano e quatro meses.
Contudo os leitores são exigentes e estão sempre à espera de novas artigos mais interessantes, mais actuais e mais apelativos. Um amigo meu terceirense na férias da Páscoa abordou-me e perguntou-me quando começava a escrever sobre “mulheres e futebol”. Outro ilustre terceirense e barbarense disse-me que gostava muito mais quando escrevia sobre as presidenciais. Foi um bocado arriscado escrever sobre as presidenciais, até porque durante muito tempo só eu escrevi sobre Cavaco Silva e porque tive um debate aceso com ilustres socialistas que defenderam, e outra coisa não seria de esperar, o seu candidato oficial.
Todos compreendem que a minha idade, a minha posição e a minha ambição impedem-me de escrever tudo aquilo que penso. Todos entendem que por uma questão de educação e bom-senso não posso atirar indiscriminadamente sobre as pessoas. Todos entendem que os meus 20 anos são insuficientes tanto intelectualmente como “estatutáriamente” para rivalizar com outros bons cronistas que escrevem para este jornal.
Contudo devido ao apelo de alguns e apesar das reticências do meu pai, que me está sempre a avisar para eu ter em atenção o que escrevo, decidi mudar de crónica, de estilo e de temas.
A partir de agora irei escrever sobre temas variados, sem nunca me esquecer da temática europeia, levando ao leitor aquilo que ele precisa: uma escrita leve e fluida, uma abordagem directa, uma temática actual e sobretudo a vontade que seja o leitor a pensar por si e a julgar a melhor solução para os problemas que irei colocar.
Espero não ser demasiadamente caustico não provocar a irritação a nenhum “estômago” mais sensível, mas não irei fugir a uma boa discussão nestas paginas nem à discussão de temas importantes e sensíveis para todos nós enquanto terceirenses, açoreanos, portugueses e europeus.
Aguardo da parte dos leitores alguma interacção, opinião e ideias para os temas dos artigos.
É preciso mudar hábitos e pôr as pessoas a pensar e isso começa já hoje, para todos nós termos os olhos bem abertos!

PS – São poucas a trocas de argumentos nas paginas deste jornal, mas são sempre muito interessantes. Não sei quem é o Sr Gustavo Moura e muito menos o JML. Nenhum deles precisa da minha simpatia mas gostei muito da resposta do JML aos argumentos, por vezes falaciosos, do Sr. Gustavo Moura. Parece que não é só o mar que nos separa de S.Miguel ...

12 Maio 2006

Dez anos de Ciência Viva

O programa Ciência Viva que comemora agora os seus dez anos de existência marcou toda uma geração de alunos, mais no Continente do que nas Regiões Autónomas, e mostra cada vez mais os seus frutos.
Este que podia ser um artigo de elogio a este grande projecto de grande visão é também uma tomada de consciência em relação à área das Letras e Humanidades em Portugal.
No secundário, cada vez mais portugueses escolhem os números em vez das letras. Ora esta situação a longo prazo poderá criar um desequilíbrio na formação académica e profissional em Portugal que, como se sabe, é sempre difícil de corrigir posteriormente.
Numa época de fortes investimentos na área das inovações, o campo das ciências sociais e humanas tem sido colocado em segundo plano.
Mais uma vez, este tipo de visão demostra a falta de planeamento de futuro de quem nos governa, olhando apenas para o imediato e não estabelecendo uma estratégia equilibrada para assegurar o futuro de um país no seu todo.
As Letras sempre deram ao nosso país grandes homens e mulheres que levaram o nosso nome mais além e que foram, também eles, pioneiros. Nas letras são produzidas mentes que explicam e encontram soluções para as dinâmicas humanas nas suas mais variadas áreas: geografia, psicologia, sociologia, antropologia, historia, ciência política, etc.
Existe uma profunda crise no mercado de trabalho ligado à áreas das Letras. Vimos todos os anos milhares de professores que não são colocados em escolas e que não tem outro meio de exercer os seus conhecimentos senão na área da docência.
Um programa nacional que incite os alunos no gosto pelas letras, na compreensão da letras, ao lado de programas de investigação e de doutoramentos originais e inovadores seria um passo de gigante para uma convivência harmoniosa entre Ciência Viva e Letras Vivas.
Exige-se ponderação e visão a um a uma Nação que nunca soube crescer de uma maneira igual e equilibrada na sua História. Ora estamos virados para um lado, ora para outro. Ora damos mais importância a uma área, ora concentramo-nos noutra.
Nas Letras não há só lugar para discussões infrutíferas, estéreis e complicadas, há também lugar para perceber o homem e as suas complicadas relações, há lugar para que a Ciência tenha aplicação em homens e mulheres que são regidos por forças que a compreensão das letras ajuda a perceber.
Este é um debate necessário em Portugal e na Europa que exige a participação de todos.

27 Abril 2006

Apresentação "Bolivia"

A Apresentação em PowerPoint do Banco Mundial na Bolivia.caso_boliviano.ppt

Relatório da Apresentação "Bolivia"

Fica o relatório da apresentação das linhas estruturais implementadas pelo Banco Mundial na Bolivia.relatório_bolívia.doc

19 Abril 2006

Choque Tecnológico ou Bebés?

Na “Estratégia de Lisboa”, os então 15 Estados-Membros, propuseram a ambiciosa meta da União Europeia investir até 2010 mais do que qualquer outro país do mundo em I&D (Investigação e Desenvolvimento). Contudo, devido as problemas domésticos no seio de vários Estados da UE e ao abrandamento da Economia mundial este objectivo parece cada vez mais, irremediavelmente, perdido, seja pelo aproximar da data limite, seja pela falta de visão de alguns políticos na Europa.
Apesar desta conjuntura difícil, o nosso Primeiro Ministro portugues decidiu energicamente implementar um plano tecnológico, que à nossa modesta medida, vem materializar alguns dos objectivos tecnológicos da Estratégia de Lisboa.
O que o nosso primeiro ministro não se lembrou, nem muitos do que participaram na Estratégia de Lisboa, é quem sem PESSOAS não há economia, não há desenvolvimento, não ha mão-de-obra, não há futuro.
Causa-me alguma confusão esta Europa que renega os valores familiares e da vida cada vez mais, com leis, pressões, manifestações e que por outro lado quer ser líder mundial.
È um exercício mental simples: sem pessoas não há Europa que resista, sem pessoas corremos o risco da civilização europeia tornar-se num mero vestígio arqueológico.
Para aqueles que pensam que esta imagem “apocalíptica” parece exagerada aconselho consultarem estatísticas da população idosa e as previsões para daqui a 50 anos. A partir do momento em que a população activa não consegue sustentar a população idosa devido a este profundo desequilíbrio, todo o sistema de Segurança Social e de Reformas entrará em colapso. Esta realidade não é uma miragem é uma realidade que sucessivos governos tem vindo a ignorar na esperança que alguém venha e resolva o problema.
O país e a Europa precisam de um plano tecnológico, mas também precisam de quem o ponha em pratica. Os incentivos à família são medidas estruturais que a par com os restantes progressos tornarão a Europa e o nosso país mais fortes e não um gigante com pés de barro.
Façamos um favor ao nosso Portugal, à nossa Europa e ao nosso Sócrates: “Crescei e multiplicai-vos!”

12 Abril 2006

O papel dos Açores na “Europa das Regiões”

Após a entrevista ao Professor Rogério Leitão sobre o papel activo que as regiões podem e devem desempenhar perante as instituições europeias, exige-se a necessária reflexão sobre duas problemáticas: o papel das regiões no contexto da construção europeia e o aproveitamento dos quadros especializados regionais nesta área como forma de resposta aos novos desafios.
Como alguns sabem a região possui um curso de Estudos Europeus e Política Internacional ministrado pela Universidade dos Açores na Ilha de S. Miguel que este ano lançará os primeiros licenciados para o mercado de trabalho. Do mesmo modo existem mais três cursos de Estudos Europeus em Universidades públicas no Continente: na Universidade de Lisboa, Universidade de Coimbra e Universidade do Porto. Nos cursos ministrados no Continente existem pelos menos três alunos a frequentar actualmente esses cursos.
Com toda esta dinâmica académica impõem-se neste momento de viragem que a linha da frente da projecção regional dos açores na Europa tenha como principais protagonistas especialistas em assuntos europeus formados directamente nesta área. Contactado por e-mail o Director regional dos Assuntos Europeus indicou-me que actualmente “o recrutamento que tem sido feito na Região, principalmente na administração pública regional, por motivo de dar resposta a necessidades em matéria de assuntos europeus, tem sido direccionado principalmente para licenciaturas na área do direito, de economia, de relações internacionais...”
Pois bem, feito este grande investimento na formação de novos quadros altamente especializados chegou a hora de os aproveitar e por a render este investimento.
Como é amplamente sabido, a formação universitária possui várias lacunas no domínio prático, contudo estes jovens foram treinados para aprender depressa, isto é, com vontade e empenho de todos os intervenientes as falhas de formação prática serão rapidamente ultrapassadas através de uma integração e formação intensivas.
Tal como o Professor Rogério Leitão sustentou na entrevista cabe à nossa região ter um papel activo na defesa e promoção de políticas que sirvam os interesses dos Açores e dos açorianos e nada mais adequado para isso senão jovens quadros com formação especifica nessa área que conhecem bem a nossa realidade e a nossa Europa.
A criação de um grupo de trabalho multidisciplinar que faça valer os interesses dos Açores directamente em Bruxelas constitui um investimento com retorno garantido. Este investimento não deve ser entendido como mais um nicho de mercado para novos licenciados nem como um “job for the boys”. Esta deve ser uma aposta que tem como objectivo capital o “bem comum” de um povo que tem muito a ganhar com a Europa
Ao Governo Regional, ás empresas privadas açorianas e à sociedade civil em geral pede-se o próximo passo, que não é mais do que, aproveitar recursos postos à disposição de todos.

11 Abril 2006

Blog no Google!

Para quem utiliza a expressao de pesquisa "pensar a europa" no google este blog aperece como a terceira entrada!
Em dois meses o blog tripilicou o número de visitas para mais de 300 por mês.
Cada vez mais uma referência.

"Pensar a Europa
Pensar sobre a Europa e sobre a Universidade, é pensar sobre duas realidades relativamente recentes no nosso país. Tendo o Ensino Superior, ...
pensaraeuropa.blogspirit.com/ - 40k - Em cache - Páginas semelhantes"

10 Abril 2006

A Presidência Austríaca da UE

A Áustria assume a 01 de Janeiro de 2006, pela segunda vez, a presidência rotativa da União Europeia com o objectivo de imprimir uma nova dinâmica à Europa, concentrando-se nas questões "realmente importantes", ultrapassada que está a questão do orçamento comunitário.
Viena sustenta que o seu "ponto de partida não é fácil", face à crise instalada na União Europeia, mas o "testemunho" que recebe de Londres é certamente menos "pesado" que aquele que a presidência britânica cessante recebeu em Julho do Luxemburgo, quando a crise atingiu o seu auge face à rejeição do Tratado Constitucional e ao desacordo sobre as verbas comunitárias.
O acordo não tirou a Europa da crise, mas é sem dúvida uma boa notícia para os 25 Estados-Membros e para a nova presidência, que sem esse "fardo" poderá concentrar-se no que a chefe da diplomacia austríaca classificou como as questões "realmente importantes" para os cidadãos europeus, tais como a criação de emprego, liberdade e segurança, protecção do ambiente e o reforço do papel da UE no Mundo.
Viena também aponta como objectivo relançar o debate sobre o futuro da Europa e em concreto sobre o Tratado Constitucional, "congelado" há meses na sequência da vitória do "não" nos referendos em França e na Holanda. Debate esse que em Portugal só agora começa a dar os primeiros passos.
No Conselho Europeu de Junho, os líderes europeus acordaram dilatar o prazo de ratificação da Constituição Europeia para lá de Novembro de 2006 - a data inicialmente prevista para o final do processo -, instituindo um período de reflexão que até agora não passou do papel.
A Áustria, que considera o Tratado "um documento fascinante" pretende encorajar um verdadeiro debate, tendo em vista uma clarificação, ainda que sublinhando que não possui qualquer "poção mágica" para solucionar o impasse actual.
"Precisamos de ver o que queremos, como queremos viver na Europa", afirmou a Ministra dos Negócios Estrangeiros da Áustria.
É cada vez mais frequente que os passos de maior compromisso e mais efectivos na UE tem-se dado sobre a presidência de países mais pequenos no seio da União Europeia, isso porque não estão “amarrados” a condicionalismos e a pressões a que os gigantes europeus estão constantemente sujeitos. Podemos contar com o rigor e o método austríaco para uma presidência seria e que comece a resolver problemas de fundo gravíssimos que minam uma definição de futuro da Europa.